Dia do Nordestino | como surgiu e.. por que se comemora?

by - outubro 08, 2020

Hoje é 8 de outubro, dia do nordestino. A bem da verdade, descobri isso só ontem, enquanto escrevia uma peça de trabalho sobre a data. Nordestina fuleira, meus conterrâneos diriam. A vida anda corrida, mas, hoje deu tempo de vir aqui conversar um pouquinho sobre o assunto.

8 de outubro, dia do nordestino.

A data surgiu em São Paulo, em homenagem ao poeta cearense Patativa do Assaré e a Catulo da Paixão Cearense, o compositor da maravilhosa Luar do Sertão, que Gonzagão imortalizou. Pelo que pesquisei, há indícios de que a data da celebração teria mudado para 02 de agosto, puxando sardinha para Luiz Gonzaga em seu dia de nascimento. Mas, o que importa mesmo, é saber que ser nordestino é... incrível.

Não sou muito bairrista, mas venho de Salvador e pouca gente desgosta da cidade. O pai de uma ex-colega de trabalho é uma dessas pessoas e ela mesma justifica, dizendo que ele não teria tido a impressão correta. O fato é que, não apenas os soteropolitanos, como os baianos e os nordestinos costumam ser calorosos e receptivos a seus visitantes, amigos e familiares. É de onde vem o calor humano, a intimidade que se pega no ar, o 'vem cá tomar um café comigo' e até mesmo, o 'passa lá em casa' honesto, real e sincero.

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O poeta cearense Patativa do Assaré
Mas, nem tudo são flores e toda a nossa pobreza também é uma marca indelével. A região, com toda a sua riqueza cultural e natural, carece de recursos e atenção politica em quase todas as esferas e a conta chega. Fome, seca, miséria, analfabetismo. A situação está um pouquinho melhor do que há 15 anos, mas ainda se encontra muito disso, além de um grande e estranho preconceito de uns e outros com nossa terra e com quem vem dela.

Já tratei disso aqui nas eleições de Dilma, já fomos taxados de ignorantes e isso retornou nas eleições do seu presidente Jair Bolsonaro (meu mesmo não é), quando a região foi a de menor receptividade ao 'capitão'. Mas, não se encerra aí, no Rio de Janeiro, há "paraíbas e baianos" para representar os nove estados. Em São Paulo, a 'baianada' é a bandalha, a 'roubadinha' que você dá no trânsito, como se fôssemos imprestáveis motoristas ou como sinônimo de coisa errada. Não me importo tanto com isso, mas há quem se incomode e nós, até onde eu sei, não perdemos muito tempo falando de quem a gente não conhece.

foto de Luiz Gonzaga para o dia do nordestino.
Outro grande mestre, Luiz Gonzaga
Eu quero é saber mais do meu nordeste, conhecer este mundo de cidades e espaços que ainda não visitei, repetir os encontros naqueles que fui e me encantei. A Bahia sozinha, meu quadrado, já é maravilhosa o suficiente, mas sei que há muito mais pra ver e comer. E ouvir e dançar. E nadar e escalar. E conversar e amar. Porque é isso, tem tudo aqui, gente. 

O nordeste é terra de aracajé, carne de sertão, cuscuz, canjica, mugunzá, moqueca, pirão, cozido, quiabada, cocada e caruru. Tem fruta que só tem aqui (a região Norte também está de parabéns nesse aspecto), tem coco verde baratinho para beber e comer a carne. Tem o maior litoral do país e de águas quentinhas e maravilhosas. Tem verão o ano inteiro e aqui em Salvador, inverno é frente fria de 23 graus.

É terra de tanta gente boa, que vou fazer uma lista curta, só para deixar na vontade: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Amado, Patativa do Assaré e Gonzagão, Maria Bethânia e Daniela Mercury, Tom Zé, Alceu Valença, Rachel de Queiroz, João Cabral de Melo Neto, Glauber Rocha, Geraldo Azevedo, Belchior. É muita gente mesmo, mas é melhor parar por aqui, porque senão fica chato de ler. 

salvador-bahia
É terra de muito trabalho, mas tem água de coco para matar a sede
Eu não sei dessa história de dia do nordestino. Entendo que a homenagem vem de São Paulo, porque é a capital que tem mais nordestino fora da região, mas não sei se precisamos da data, na verdade. Acho que a cultura popular é forte e viva e não precisa deste compromisso fixo, como se fôssemos uma espécie diferente daquelas das demais regiões. A menos que exista o dia do nortista, do sudestino, do sulista etc. Se alguém descobrir isso, me avisa. 

Que o nordeste é terra viva, de gente retada e batalhadora, não é novidade. Que respondemos por parte da cultura e diversidade nacionais, também é falar o óbvio. Que temos uma culinária vasta e específica por cidades e estados, só vindo para conhecer e se certificar. Que somos incríveis e sinceros - posso falar por mim e por meus amigos, sim. Mas também, tem gente bizarra em tudo quanto é canto e queria eu dizer que não tem aqui. O nordeste é o coração do Brasil e não acredito que precisemos de um aniversário para confirmar isso, só precisamos que deem atenção econômica real e respeitem nosso povo e natureza. O resto é história.

E você, o que acha desta data? Compra a ideia de comemorar o dia do nordestino? Me conta! E, para me ajudar a manter este espaço vivo e crítico, me convida para um café? Ah! Não achei Luar do Sertão, mas encontrei essa coisa linda, para trazer um pouco de música para esse blog maravilhoso <3 



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