De primeira viagem: vida ao ar livre!

by - outubro 05, 2020

Depois da primeira ultra e da alegria em saber que um garotinho está se preparando para chegar em nossas vidas, seguimos em frente neste mundo de surpresas e alegrias com a reabertura da cidade para a convivência. Se é a primeira vez que você vem aqui, acompanhe a minha saga como uma futura mãe De primeira viagem em Dublin. 

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E como em um passe de mágica, o dia da primeira visita ao hospital foi o último dia do enjoo matinal, que aconteceu, no total, entre a 5ª e a 14ª semanas da gravidez. E tudo o que eu não comi durante esse período, estou compensando agora, uma fome de leão! Além da fome, começo a perceber outras mudanças, como a alteração das mamas e o aumento da barriga. Também ando sentindo uns movimentos “estranhos” na barriga, normalmente como se fossem umas bolhas estourando ou um volume alto e localizado na barriga, ou ela fica mais dura do que o normal. Ou seja, a parte boa da gravidez chegou e será a que me fará esquecer por completo os 3 primeiros meses e os vômitos... para sempre, será? Agora é me preparar para o terror, ou melhor, o medo desde que me entendo por gente, é a hora do parto. Afinal, aqui na Irlanda, assim como na maioria dos países europeus, se incentiva o parto normal e só se fazem cesáreas em último caso.

Durante a 15ª semana da gravidez, o governo irlandês começou a flexibilização do isolamento social, que foi dividido em 5 fases. Nesta primeira fase, podemos “viajar” num raio de 5km de casa. Sobre o comércio, apenas lojas de casa e jardim foram reabertas e são permitidos encontros ao ar livre para grupos de até 4 pessoas que não moram na mesma residência, mantendo distanciamento de 2m. Desde que o isolamento social começou, nós praticamente não saímos de casa, somente para ir às consultas e às vezes ao mercado, quando esquecemos de comprar algo que não vale a pena pedir online. Neste tempo, recebi mais duas cartas do hospital, o que eu não esperava, por conta do cronograma entre o clínico geral e o hospital, para novas consultas e outra ultrassonografia.

Um parêntese aqui: no formulário que mandei para o hospital na Saga dos Correios, uma das perguntas era qual categoria de cuidado eu gostaria, se era com obstetra ou parteira e eu escolhi obstetra, mais por precaução, já que estou numa idade mais “avançada” e minha família tem histórico de abortos e nascimento de prematuros. Fecha parêntese.

Então, com 18 semanas de gestação, volto ao hospital para a consulta com a obstetra. Fila de quase uma hora para ser atendida e coitado do Léo fica esperando por mim fora do hospital, já que ainda não foi liberado o acesso de acompanhantes. É um procedimento bem simples, ela mediu minha pressão, testa minha urina (toda consulta tem que fazer xixi no potinho), faz algumas perguntas e, para minha alegria, faz uma mini ultrassonografia. Infelizmente, meus exames demonstraram que estou com pouco ferro, o que é bastante comum, e tenho que começar a tomar suplemento para compensar a insuficiência. 

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Nesta mesma semana, começa a segunda fase de flexibilização e o raio de viagem aumenta de 5 km para 20 km, as lojas de varejo foram reabertas e os encontros ao ar livre para grupos pequenos aumenta de 4 para 6 pessoas. Decidimos ir ao parque algumas vezes encontrar amigos à distância, até para curtir o pouco de verão que temos por aqui, além de finalmente sair de casa para respirar um pouco ao ar livre. Na primeira vez que nos encontramos, a sensação foi bem estranha, por estarmos fazendo quarentena há tanto tempo e o medo ainda iminente do vírus. O parque foi a melhor escolha, por ser um lugar aberto e de maior distanciamento social, além de ser um dia de clima quente para a Irlanda. 

Uma das coisas ruins de se encontrar no parque e com praticamente todos os lugares ainda fechados, é não ter como ir ao banheiro, ainda mais estando grávida, onde a torneirinha é mais frouxa do que o normal. Aqui, infelizmente, os parques não têm toaletes. De volta ao encontro, cada casal de amigos no seu quadrado e à distância, e algumas perguntas sobre a gravidez, mas nem tantas, porque estamos nos falando online toda semana. O maior impacto para eles foi a barriga estar começando a aparecer, porque não é o mesmo do que ver numa tela de computador ou celular. De qualquer maneira, os encontros seguintes foram mais tranquilos e ficamos menos nervosos por já termos passado por isso antes.

Chegamos em 20 semanas, metade da gestação (por volta de 5 meses), eu faço outra ultrassonografia, a morfológica, que é um pouco mais detalhada. Nas outras, normalmente se pode medir o comprimento e batimentos cardíacos do bebê, mas essa mede tudo isso e mais: o comprimentos dos ossos das pernas, braços e coluna vertebral, tamanho da cabeça, verifica os órgãos, como o coração, os rins, o estômago, a genitália (até para garantir que o gênero visto na primeira ultra estava correto), além de determinar a localização da placenta que, no meu caso, está um pouco abaixo do normal. Nada a se preocupar no momento, até porque ainda tem muito tempo de gestação, mas algo a ser acompanhado. Segura a ansiedade que mês que vem eu conto mais um pouquinho sobre essa nossa aventura coletiva!

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Quem escreve

Camila Castro (Cam, Camy, Camis, Camilinha) é engenheira de produção e vive com o marido e o futuro bebê em Dublin, na Irlanda. Potiguar, morre de saudades do calor nordestino, das comidas e dos amigos de todos os lugares, mas encontrou seu cantinho no mundo para tocar a vida com mais tranquilidade. Você a encontra no linkedin e no facebook. Fala com ela!

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