O que assistir: filmes e séries - setembro 2020

by - setembro 10, 2020

Acho que este foi o primeiro ano em nossas vidas que agosto passou rápido. Talvez por termos nos habituado à pandemia e ao arrastar dos cinco meses anteriores, talvez pela vida ter começado a se reajustar nesta suposta nova normalidade, com a diminuição do pânico em todos nós. Não sei. O fato é que passou voando e só agora consegui postar os filmes que indiquei na Amazon Prime e Netflix no mês passado.

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É preciso mencionar, contudo, duas mudanças importantes aqui no Café: 

  1. A partir deste mês, farei uma postagem compilando as dicas de filmes e séries que seguem fresquinhas no instagram. Antes, eu fazia duas, separando Netflix, de Amazon Prime Vídeo, mas vi que as pessoas se dispersavam, na certa, achando que só havia informação sobre um dos streamings; vai saber...
  2. Também a partir de já, vou indicar filmes além destes dois streamings. Para o 'tipo' de filme que normalmenre aparece por aqui, estes streamings não são mais suficientes. A parte boa da notícia, especialmente para quem só assina os dois, é que há uma oferta muito grande de 'streamings alternativos' e gratuitos agora. Salas de cinema estão abrindo sessões para obras incríveis e não custa nada para mim compartilhar estas informações. Então, frequentem o instagram do Café para estas atualizações e mais as informações referentes a livros e outros assuntos.
Agora, sem mais delongas, seguem as dicas de filmes e séries para assistir na amazon prime vídeo e netflix!

> Amazon Prime Vídeo

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Nowhere boy (2009)

Semana acabando e junto com ela, uma dica que me veio à cabeça, mais como uma lembrança ou saudade de ouvir música boa ao vivo. O filme é Nowhere Boy e Aaron Taylor-Johnson é o moço da foto que interpreta ninguém menos do que John Lennon em sua mocidade. Drama que conta a infância e adolescência do Beatle, suas relações familiares e sua afinidade com a música desde sempre.

Vi o filme muitos anos atrás e a lembrança de ouvir Beatles me trouxe a pesquisa e ele está disponível no streaming. Não espere encontrar o quarteto fantástico tocando junto, não é a época, mas há sim o “ensaio” para uma formação inicial e a amizade histórica com Paul McCartney. O elenco está excepcional e é uma boa história para fechar a noite. 

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O poderoso chefão (1972)

Para celebrar o dia dos pais e daqueles e daquelas que exercem a função sem sê-los, nada melhor do que uma saga familiar, clássica e maravilhosa. O poderoso chefão, para quem não viu, é uma trilogia dirigida por Francis Ford Coppola que acompanha a familia Corleone, uma das maiores que tocava um dos braços da máfia italiana em NY.

Com elenco impressionante (Marlon Brando, Al Pacino, Roberto de Niro, Andy Garcia, Robert Duvall, Diane Keaton, Sofia Coppola e mais), a adaptação literária é um marco do cinema norteamericano e deve ser visto por todo mundo que gosta de uma história muito bem contada. A trilogia está sempre nas listas de melhores filmes, é uma escola de cinema e merece ser vista com atenção. 

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Capote (2005)

Phillip Seymour Hoffman é uma das grandes ausências do cinema americano, isso é fato. Encontrei no streaming uma de suas grandes performances, como Truman Capote em Capote, de 2005. O filme é baseado em fatos reais e mostra as pesquisas iniciais para escrever uma reportagem especial que acabou se transformando em sua obra máxima, A Sangue Frio. A pesquisa foi extensa, tratava não apenas do massacre de uma família no Kansas nos anos 50, como da vida dos assassinos no corredor da morte e em especial de um deles, Perry Smith.

O livro é sensacional, outra grande dica e o filme nos prende quase da mesma maneira, pela força hipnótica da performance de Hoffman. Vale assistir e ler a obra que lhe deu origem. O escritor também tem outro grande livro que virou clássico no cinema, Bonequinha de Luxo

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Trainspotting (1996)

Conversando com uma amiga sobre os tempos de videolocadora, ela me disse que não conseguiu trabalhar na maior de Salvador (saudosa GPW), porque disse à psicóloga do RH que o melhor filme da época era Assassinos por Natureza. Certamente, a avaliadora se chocou com a resposta, mas minha amiga era estudante de cinema, então fazia total sentido.

Para mim, junto com Assassinos, caminha Trainspotting, mesmo sendo filmes completamente diferentes, talvez eu os una por tê-los visto na mesma época. Lançado em 1996, o segundo conta a história de Renton (Ewan McGregor), um jovem de vinte e tantos anos que tenta largar o vício em heroína e precisa lidar com os os amigos e essa fúria de curtição e festas em Edimburgo.

O filme é de Danny Boyle, o mesmo de Quem quer ser um milionário?, 127 horas e Yesterday e foi tão importante, que levou todos ao Olimpo das grandes produções. Com narração brilhante, montagem e interpretações de tirar o fôlego - entre o sofrimento e a euforia - somos levados a torcer para que dê certo - o que quer que seja - para todos eles. 

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Uma doce mentira (2010)

Hoje seria um bom dia para ver O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001) que tem assustadores 19 anos de produzido. Um filme francês, criativo e delicioso que muita gente já viu e merece ser revisitado sempre, pela leveza e fantasia que aquele romance traz e que tem uma cena que comemora o dia de hoje. Um marco na vida de nossa protagonista.

Como não temos isso nos streamings mais populares, encontrei outro em que Audrey Tautou, a atriz de Amélie, faz outro papel legal e também leve. Uma doce mentira é uma comédia romântica para entrar no fim de semana de forma tranquila e animada, sem exigir demais da gente nestes tempos complicados.

Émilie (Tautou) está vendo a mãe triste e desanimada depois que o marido a deixou e, para animá-la, aproveita uma carta que encontrou sem assinatura e envia à mãe, como se ela ganhasse ali um amante platônico secreto. A doce mentira realmente a transforma, mas gera incômodos para o autor apaixonado por outra e mais algumas questões que deixarei em aberto.

Netflix

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Casa Grande (2015)

Alerta de filme brasileiro na casa! Chegou na netflix, Casa Grande (2015), o primeiro longa de ficção de Fellipe Barbosa. A trama gira em torno de Jean (Thales Cavalcanti), um adolescente de classe média alta do Rio de Janeiro e suas interações com a família em seus preconceitos de classe (e provavelmente de todo o tipo), colegas de escola e funcionários da casa.

Fellipe explora um pouco sua própria história, há pinceladas de sua família e de si próprio no protagonista. O filme é interessante na abordagem crítica ao vermos um garoto que nada sabe do mundo, do que é Brasil, até que a realidade, finalmente lhe bate à porta e escancara as diferenças para além dos muros da elite. O filme lembra, por parte do tema, o ótimo filme Que horas ela volta?, lançado no mesmo ano e dirigido por Anna Muylaert.

Depois desse e com notoriedade no país, Fellipe traz o filme que gosto ainda mais, Gabriel e a montanha (2017). Esse também poderia ir para os streamings, uma grande obra, sem dúvida.

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My mister (2018)

Comentei aqui outro dia, que tenho investido em algumas séries coreanas que inundaram o streaming. As produções são as mais diversas e para todos os gostos - de verdade. No meio disso tudo e depois de conversar com uma amiga quase phd em produções coreanas, japonesas e chinesas, cheguei em My Mister.

A série traz a cantora IU como a jovem de vida conturbada Lee Ji An, e Sun-kyun Lee (o pai rico do filme Parasita, lembra?), como seu colega de trabalho Park Dong Hoon, cuja vida vira do avesso da noite pro dia. Corrupção, violência de gênero, comportamento, relacionamentos, tem tudo aqui. Mais uma vez, os confrontos geracionais emergem junto com outras marcas da cultura do país, como a questão de gênero e formação profissional.

A série tem uma temporada de 16 episódios de aproximadamente 1h cada e é uma grande dica para começar o fim de semana. A trama vai se construindo no seu tempo e ficamos presos entre as formas que Lee Ji An encontra para sobreviver neste mundo cão, enquanto Park Dong Hoon quer apenas viver em paz no seu trabalho - tarefas quase impossíveis para nossos heróis. My Mister está na netflix e abre nosso olhar para o outro lado do mundo, nos fazendo conhecer um pouco mais sobre aquele país, fugindo do que só ouvimos falar e sabemos tão pouco. 

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Rita (2012 - 2020)

Para mudar de ares e investir em algo diferente, vale assistir Rita, uma série de drama/comédia dinamarquesa que chega na quinta temporada neste sábado.

A dona do título é Rita Madsen, uma professora de escola inteligente e ótima, que tira de letra a educação de seus estudantes e se impões nas relações políticas com seus colegas de trabalho. Por outro lado e como tudo na vida, em sua vida pessoal, as coisas não acontecem de forma tão equilibrada assim. A série me cativou na primeira temporada anos atrás e nunca mais a deixei, com todas as reviravoltas da trama. Diversão garantida, ótimos diálogos e uma comédia diferente do que estamos acostumados. 

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Axé: canto do povo de um lugar (2016)

Em 2016, foi lançado o filme Axé - canto do povo de um lugar, tratando, claro, deste Axé baiano, ritmo que embala os carnavais desde sempre. O filme tenta fazer um apanhado da história da música cujo auge foi nos anos 90, com Daniela Mercury, Olodum, Timbalada, Luiz Caldas, Banda Eva, Chiclete com Banana, Netinho, Cheiro de Amor e um sem fim de grandes artistas que marcaram a vida de, literalmente, milhares de pessoas.

O filme, contudo, não é um panorama vasto ou profundo, não abrange a história toda do carnaval de Salvador e deixa passar bons momentos que surgiram em algumas entrevistas, especialmente sobre a indústria e a política que cercam esta imensa festa popular - um negócio lucrativo e de terreno pantanoso. Para quem curte as músicas, vale muito a pena, lembro quando assisti no cinema, cantava junto e baixinho, com o coração embalado nos ritmos da minha infância e adolescência. 

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Dois Papas (2019)

Dois Papas é a aposta para hoje. Lançado ano passado pela Netflix e dirigido por Fernando Meirelles, o filme mostra os momentos que antecederam a transição entre o papa Bento XVI (Anthony Hopkins) e o atual, Francisco (Jonathan Pryce).

Os atores carregam o filme com uma leveza que só a experiência e o talento de dois dos maiores nomes do cinema mundial sustentariam. A história se passa dentro do Vaticano e tudo são conversas entre eles sobre os mais variados assuntos - talvez uma tentativa de humanizar aqueles que são a representação máxima da igreja católica.

Enquanto Hopkins traduz um homem entre a soberba que lhe é característica e o tormento por não estar tão certo de sua fé, Pryce nos apaixona da mesma maneira quando ouvimos o verdadeiro papa Francisco fazendo discursos finalmente plausíveis e coerentes - uma grande mudança na instituição. Independentemente de religião, a graça reside nos diálogos, no drama tão equilibrado com a comédia e na maestria de um roteiro e direção que nos deixam atentos em uma situação tão específica.

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Peaky Blinders (2013 - )

A dica de hoje para entrarmos em uma história viciante de máfia não italiana e não americana é Peaky Blinders. A série da BBC está na netflix há algum tempo e, ainda que distoe do que costumo escolher para assistir, ela é bem boa.

Peaky Blinders é o nome da gangue-família-máfia que toma conta de Birmingham, Inglaterra, no início do século XX. Começando por baixo, ascendem na sociedade por troca de favores e ameaças. Cillian Murphy é Thomas Shelby, quem comanda a 'empresa' e família, recém saído da primeira guerra mundial e um tanto perturbado por traumas dos combates.

Com elenco espetacular em uma produção impecável em fotografia, trilha sonora e direção de arte, o roteiro pode parecer um pouquinho novelesco e por vezes traz alguns personagens caricatos, mas faz parte do clima de mito e realidade em torno de uma história livremente inspirada em fatos e famílias da época. A série fez tanto sucesso que aumentou o turismo em Birminghan - a cidade agora tem roteiros específicos para passeios, os #peakytours

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The invention of lying (2009)

Há uma alegria em descobrir pérolas ao acaso no meio do monte de filmes aleatórios que abunda nos streamings. O que apareceu hoje para mim no meio das milhares de produções asiáticas (o algoritmo me pegou) foi The invention of lying ('O primeiro mentiroso' em português, mas apareceu o título original para mim).

Dirigido e escrito por Ricky Gervais e Mathew Robinson e com um elenco de peso: o próprio Gervais, Tina Fey, Jennifer Garner, Jonah Hill, Rob Lowe e outros, trata de uma hipótese inusitada: o mundo como conhecemos sem mentiras. Todos só falam verdades, até que, por uma casualidade, uma mentira favorece nosso herói e, claro, isso toma proporções exponenciais. Comédia leve e crítica ao mesmo tempo, com ótimos diálogos, traz algumas questões caras à nós, mas de forma tranquila, sem pesar no estômago e mantendo o coração quentinho. Para ver depois do trabalho. 

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A era dos dados (2020)

Latif Nasser é um jornalista científico que faz podcasts incríveis na @radiolab. Ele também está na novíssima série de reportagens da netflix, A Era dos Dados.

Estreou ontem, comecei a ver hoje, porque as matérias da curiosidade, conhecimento e desenvolvimento da ciência em variadas áreas sempre me interessaram. E Latif manda bem, ele explica com vontade temas como “como a poeira de um ressecado lago no Saara contribui para a Maré Vermelha na costa leste dos Estados Unidos” ou como surgiu a “ideia da previsão do tempo”. Tudo, passando a ideia de como um fenômeno local promove consequências do outro lado do mundo - a melhor forma de entender globalização e o sempre importante tema, especialmente em tempos de pandemia: somos todos um.

Os assuntos e as abordagens são super interessantes, ele é um cara que dá vontade de ter como amigo, porque parece investigar com aquela certeza de amar o que faz e do que fala. A Era dos Dados está na Netflix e tem apenas 6 episódios, na minha humilde opinião, poderia ser uma dessas séries sempre renovadas, primeiro porque é fundamental falar sobre ciência (e o programa pode ser visto e compreendido por crianças e adolescentes - a didática do cara é ótima) e segundo, porque história aqui não falta. :)

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Persona (2019)

Persona é uma 'coleção' de quatro curta-metragens de quatro diferentes diretores. Todos não passam dos vinte minutos e são bem bons. Na verdade, acho o primeiro excelente, o segundo tem um humor (bem) ácido, mas é bom, o terceiro também vale. O quarto é que fiquei em dúvida.

Todos levam IU (Lee Ji Eun) com protagonista, essa atriz e cantora sul coreana que tem feito bastante sucesso e já apareceu aqui com a dica de My Mister - série de drama ótima no streaming. Persona está na Netflix e vale o nosso tempo para trazer uma novidade do outro lado do mundo para dentro de casa.

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2 Comentários

  1. Eita que esse Prime tá até com umas coisas boas (e eu sempre na dúvida: volto ou não?). Me deu uma saudade de O Poderoso Chefão e de Trainspotting (inclusive até hoje não vi o 2, cê sabe se preseta?). Ontem comecei My Mister... E Persona tá na minha lista faz tempo. Peaky Blinders eu vi até a quarta (?) temporada, nem sei mais... Mas teve uns trens que começaram a me incomodar (mas nem lembro mais o que era hahahaha). Amei as dicas.

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    1. Hahahahahaha... acho que há coisas boas em todos os streamings, a dificuldade é essa, né? O que escolher... ainda acho que no final, vamos acabar voltando a um esquema similar de programadoras de canais como havia até o ano passado, pelo menos, porque nunca conseguiremos ter acesso a todos os streamings..hehehehe

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