Livro: Um diário russo, John Steinbeck e Robert Capa

by - setembro 15, 2020

Sempre pensando em um livro interessante para ler em 2020, me reencontrei com Robert Capa e suas obras maravilhosas: Ligeiramente fora de foco e Um diário russo. É sobre o segundo que vamos falar, em homenagem à vacina da Rússia de combate ao coronavírus. Brincadeiras à parte, este projeto foi uma parceria com ninguém menos de John Steinbeck, em plena Guerra Fria.

para-ler-em-2020
Um diário russo, John Steinbeck e Robert Capa
Infelizmente e sem saber porque, este livro não é um best seller. Não está em nenhuma lista de livros mais vendidos do ano, de qualquer ano, mesmo sendo impressionante e maravilhoso. O escritor de Vinhas da Ira (1939) e A Leste do Éden (1952) uniu-se a um dos maiores fotógrafos deste globo para, juntos, visitarem o mais temido país de 1947 de acordo com os Estados Unidos, A União Soviética.

A ideia surgiu entre Steinbeck e Capa, que a venderam ao Herald Tribune e, por serem dois nomes de peso, o jornal topou. O objetivo era ver como vivia o povo soviético, fotografar o cotidiano de pessoas comuns, em uma tentativa de encontrar semelhanças ou disparidades entre dois países, em tese, opostos em tudo: a nação americana e a Rússia (ou ex- URSS).

georgia-ex-urss-diario-1947
Geórgia (ex. URSS), 1947 - Robert Capa 
Retomando um pouco a história mundial, me perguntei quando começou a Guerra Fria. Sabia, com a certeza dos livros de história e do imenso volume de mídia, quando começou e acabou a Segunda Guerra Mundial, e sabia que a outra havia sido pouco depois. O ano certinho é, justamente, o da viagem dos nossos heróis. Então, ali estava acontecendo tudo: uma imensa propaganda americana tocando o terror psicológico sobre o país soviético, uma infinidade de fake news - sim, elas não surgiram agora - dos dois lados, a desinformação de sempre e ideias preconcebidas.

Steinbeck e Capa seguiram para o maior país do mundo, um consagrado autor de livros de romance e um experiente fotógrafo de guerra e sociedade para elaborarem relatos em forma de um diário, formato que se firmou no retorno dos autores aos Estados Unidos. Quando estavam por lá, conheceram pessoas de toda ordem, entraram em suas casas, participaram de suas vidas, viram a cultura local, a força e o poder político de lá que pouco se diferenciavam do que viam e viviam em casa.

livros-para-ler-em-2020
Ucrânia (ex. URSS), 1947 - Robert Capa 
Na União Soviética, quebraram mitos e a cada cidade, era uma avalanche de novos conhecimentos e experiências - uma viagem que qualquer um de nós amaria fazer, especialmente na presença desta dupla. No fim, o livro se tornou um relato pessoal a quatro mãos, entre o íntimo de um diário e a reportagem de um romancista: uma escrita deliciosa, como um se estivéssemos tomando um café com um grande amigo e brilhante contador de histórias. Isso tudo, sem falar nas fotografias que compõem a obra, complementando e enriquecendo as imagens que criamos em nossas mentes. 

A obra é excepcional. É um dos melhores livros para ler em 2020, sem dúvida, especialmente em tempos de polarização e desinformação, conforme apontao filme O dilema das redes. A edição que tenho é a da foto, da saudosa Cosac Naify, mas você encontra outra ótima em inglês, da Penguin Books. Achei também na Estante Virtual, porque insisto que essa dica de livro é realmente muito boa e vale a pena o investimento. :)

um-diario-russo-1947
John Steinbeck e Robert Capa, 1947
***
Gostou da sugestão? Já leu algum livro escrito por um russo ou sobre a Rússia? Vamos conversar! Além deste, tem mais algumas resenhas de livros ótimos e imprescindíveis para conhecermos mais sobre sobre a história da ex-URSS, da autora Svetlana Aléksiévitch.  

Para  manter este blog com os melhores assuntos para discutirmos, que tal tomarmos um café juntos?
Assim, todo mundo se ajuda e sai ganhando =) 

Você também pode gostar

0 Comentários