De primeira viagem: A primeira ultra

by - setembro 05, 2020

Já estava ficando com saudades de minha comadre e mãe de primeira viagem, mas nossos problemas acabaram! Camila está de volta este mês com muita novidade e algumas surpresas. Mas, se você chegou agora e foi pego de surpresa, corre aqui, que te explico melhor.

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Depois da saga dos correios, chegamos na semana de ir ao hospital. Junto com ela, os enjoos têm diminuído, mas, a ansiedade para ver como está o bebê é imensa. No dia anterior à consulta, malmente consegui dormir. Eram tantos os medos, especialmente da ultrassonografia porque, até o momento, você praticamente não tem (ou realmente não tem) conhecimento nenhum sobre o seu bebê. Acho que nunca rezei tanto para que ele fosse saudável e que a gravidez não fosse coisa da minha cabeça. Vai que eu perdi nesse meio tempo e estou tendo uma gravidez psicológica? Neuroses!

Então, eis que o dito dia chega e lá vou eu! Antes de ir ao hospital, mais um enjoo matinal, acredito que seja mais pelo nervosismo do que qualquer coisa. Chegando lá, devido ao COVID-19, há uma mesa com alguns funcionários que fazem várias perguntas para saber se apresentei algum sintoma ou se possivelmente fui infectada pelo vírus:
  • Viajou para fora do país nas últimas semanas?
  • Teve febre?
  • Passou mal além do esperado (risos)?
Eles não permitem que o Leo me acompanhe, por prevenção. Era algo que a gente esperava, já que na carta que recebemos com a data da consulta, eles informaram para ir sozinha. A gente ainda tinha uma esperança, principalmente por conta de ser a ultra que mostraria o sexo do bebê.

De qualquer maneira, vou para a fila da recepção e ao ser atendida, eles pedem confirmação de todos os dados que enviei pelo formulário e me encaminham para a entrevista com a parteira (midwife), e isso durou para sempre. Ela fez todo o tipo de pergunta possível sobre o meu histórico médico, o da minha família (pais e avós) e o do meu parceiro e sua família, tirou a minha pressão e verificou o meu peso (por sinal, perdi 4 kg desde a visita ao clínico geral… enjoo matinal é tenso!).

Depois me encaminharam para fazer exames de sangue e, para quem me conhece, esse é um momento aterrorizante. Mas, dessa vez não desmaiei, apesar da enfermeira ter ficado preocupada comigo quando eu estava saindo da sala de exames. Deu tudo certo.

E então, o tão aguardado momento: a ultrassonografia. O Leo me fez prometer que eu não poderia saber o sexo do nosso bebê antes dele. Isso porque, como o hospital não estava permitindo consultas acompanhadas, ele pediu para eu pedir para quem tivesse fazendo o exame anotar num papel o sexo para vermos juntos depois. Entro na sala, a técnica pede para eu deitar na maca e mostrar a barriga para fazer a ultra. Ela coloca aquele gel geladinho e depois começa a procurar pelo neném.... E a primeira coisa é que se escuta o coraçãozinho dessa dádiva, batendo que nem os atabaques do Olodum. Depois encontra a cabeça (cabeçudinho, por sinal), o corpinho com bracinhos e pernas, e finalmente, o cordão umbilical. Que emoção ver o meu alienzinho, queria poder ficar olhando para aquela tela borrada em preto e branco para sempre. E com toda a emoção e felicidade, vem também o alívio por saber que está tudo bem com ele. 

Peço à moça para verificar se dá para saber qual o sexo e ela pede para que eu desvie o olhar do monitor. Depois de algum tempo, ela diz que conseguiu ver e anota num papel para mim. E a vontade de abrir logo ali e fingir para o meu marido que não sei de nada? Me controlei. Então, ela me dispensou com duas fotos do ultra e saí do hospital. 

Liguei para o Leo para que me encontrasse no caminho para irmos ao supermercado. Encontro-o na porta do supermercado, tem uma fila de espera para seguir com as recomendações de distanciamento social. Conto como foi tudo e mostro a fotinho do nosso bebê que deram ao final da ultra. Ficamos ambos babões e na dúvida se devemos olhar o papel com o sexo ali mesmo ou se esperamos chegar em casa. 

E a curiosidade? Não aguentamos o suspense e olhamos o papel com a resposta: Boy! Congratulations! (Menino! Parabéns!). Sempre pensamos em ter um menino, não que também não ficaríamos mega felizes se fosse uma menina. É que, com o menino a gente sempre brincava com o nome e tudo: Lucas, ou melhor, Luquinhas como o chamamos - apesar de que, nos últimos tempos, eu esteja duvidosa desse nome. Ainda não haviamos pensado em um nome para menina, mesmo ensaiando um pouco com Aninha. Agora, estamos com aquela vontade doida de contar a família e amigos a novidade, mas ainda temos que fazer mercado. Terminamos as compras, vamos para casa, limpamos tudo, guardamos, tomamos banho e só depois é que entramos em contato com nossas famílias ansiosas e amigos animados para mandar a foto do alienzinho e contar o resultado. 

Perdeu os episódios anteriores? Clica aqui, onde tudo começou.


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Quem escreve
Camila Castro (Cam, Camy, Camis, Camilinha) é engenheira de produção e vive com o marido e o futuro bebê em Dublin, na Irlanda. Potiguar, morre de saudades do calor nordestino, das comidas e dos amigos de todos os lugares, mas encontrou seu cantinho no mundo para tocar a vida com mais tranquilidade. Você a encontra no linkedin e no facebook. Fala com ela!

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