Livros: 10 obras indispensáveis para ler agora

by - agosto 12, 2020

Sabe aqueles livros que sempre falamos 'um dia vou ler' ou que figuram nas principais listas e mesmo assim, deixamos passar? Vim te ajudar com isso! Fiz uma lista com dez livros fundamentais, para começarmos do jeito certo e depois vamos ampliando. Topa? 


Os livros da lista são de tempos diferentes, países diferentes. A ideia era fazer um apanhado inicial de grande obras - não por tamanho, mas por qualidade - e que fossem gostosas de ler. Assim, ainda quem não tem o hábito da leitura tão vivo, consegue ir pegando o jeito. Aproveitei e, para facilitar ainda mais a vida, criei uma lista com os livros citados aqui, na Amazon. Então, se se animarem, está bem fácil! 

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Macbeth, William Shakespeare (1606)
Em algum momento dos anos anteriores, entrei em um curso sobre Shakespeare. Era um curso livre, desses de passar tempo e, como só conhecia a superfície de suas histórias, resolvi investigar. Porque não conseguia chegar no horário, que era próximo ao de saída do trabalho, abandonei as aulas, mas comprei os livros. Macbeth é o que mais me impressiona e dá medo. Dá medo, porque há um caráter realista nesta tragédia de ambição e cobiça. A traição que comete Macbeth e o faz subir ao poder pelo assassinato parte da mesma raíz da maldade que leva, na história, ao seu descalabro. Os seres humanos não psicopatas, não perversos, ao cometerem quaisquer atos dessa ordem, não retornam ao que eram antes. Algo resvala e se imprime com força em suas carnes. É o que acontece aqui. E é este resvalar, nos fantasmas e nos delírios, que me mete medo, porque é psicológico, ainda que visível. Macbeth foi escrito no século XVII e é atemporal, além de ser uma das maiores obras da literatura e do teatro já escritas. Curta, mas que nos marca assim, como a mim aconteceu, para sempre. Esta edição da finada Cosac Naify é esplêndida - com posfácio de William H Auden e tradução de Manuel Bandeira.

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Orgulho e preconceito, Jane Austen (1813)
Elisabeth Bennet é uma aspirante a escritora em uma família grande, com muitas irmãs e pouca relevância social. A intenção de seus pais é que ela, assim com suas irmãs, se case para que consigam se manter e evitem a ruína. Por outro lado, nossa heroína tem dificuldades em encontrar alguém à sua altura e seu par romântico guarda preconceitos de classe e sociedade. O texto de Jane Austen é brilhante, trazendo os costumes e comportamentos da Inglaterra do século dezenove de forma crítica e sem perder seu humor irônico e elegância em uma escrita supostamente simples. Ela foi uma das vozes primordiais a tratar sobre gênero e suas desigualdades da era georgiana e Orgulho e Preconceito é seu livro mais famoso, conhecido em todo o mundo e que serviu de influência para grandes autores e outras obras. Virou filme em 2005, ótimo, por sinal, com Keira Knightley. Leia o livro antes.

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Frankenstein, Mary Shelley (1823)
Mary Shelley tinha 16 anos quando conheceu seu marido, com então 21, o poeta Percy Shelley. Naquela altura ela apenas convivia no meio literário, mas anos depois, após uma viagem à casa de Lorde Byron, ganhou inspiração e escreveu Frankenstein, lançado em 1823. O livro é tido como terror e também como ficção científica - em tese, o primeiro do gênero no mundo, mas vai além. Frankenstein é sobre solidão, adaptação a um mundo enquanto renegado, um órfão que vive à margem, no desprezo e escárnio social. É um livro brilhante, um clássico que ultrapassa séculos e se mantem atual. Uma delícia de ler, uma escrita rica e vibrante. Se puder, leia em inglês.

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Madame Bovary, Gustave Flaubert (1856)
Um livro que eu não sabia que me prenderia tanto. Uma história sobre uma mulher em desencanto que busca uma saída para viver de acordo com o que considerava útil e prazeroso, para além das obrigações e deveres impostos desde sempre. Madame Bovary queria viver uma vida de emoções, de cidade grande e não do interior rural onde sempre esteve. Ao casar-se com o sr. Bovary, acreditou que teria seu sonho de romances sentimentais lidos ao infinito, realizado. Sendo mulher, vivendo à mercê do marido satisfeito com quase nada, o oposto, a desilusão, os encantamentos esporádicos, as traições de muitos vão transformando e transtornando nossa heroína. O livro é imenso em qualidade, nos traz a qualquer época: as dores e alegrias desta madame são universais. O livro gerou tanta controvérsia por seu realismo nas décadas finais do romantismo, que o autor teve que ir em defesa dele, junto com ninguém menos do que Charles Baudelaire. Nesta edição da Penguin tem tudo isso e ainda o prefácio de Lydia Davis. Uma obra impressionante. 

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O alienista, Machado de Assis (1882)
Não tem nem cem páginas e é uma das maiores obras da literatura mundial. É com essa frase de efeito que começamos a conversa aqui. Machado de Assis é um dos autores brasileiros mais celebrados que existe. Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro são apenas dois exemplos de sua vasta e célebre carreira. Contista, cronista e ficcionista, o homem sabia muito como transpor sua visão da sociedade da época em texto. Neste conto ou história curta, conhecemos Simão Bacamarte, um médico que funda a Casa Verde em Itaguaí, um manicômio. Com o andar da descrença e dos exageros  de uma sociedade que se perde, não sabemos mais se os doentes são os internados ou os que habitam livremente a cidade. Uma história que vale para qualquer tempo, que se impõe com uma atualidade desconcertante em tempos de descaso com a ciência somados aos arroubos de uma governança inepta. Machado de Assis é sempre imprescindível e urgente.

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O médico e o monstro, Robert Louis Stevenson (1886)
Sessenta a três anos depois de um "clássico de monstro", o escocês Robert Louis Stevenson cria um médico atormentado entre seus desejos e uma sociedade repressora e moralista. É aqui que O médico e o monstro surge, criatura e criador como Frankenstein, sob outra ótica, como a dualidade de todo indivíduo levado ao extremo. O médico e o monstro - O estranho caso do dr. Jekyll e o sr. Hyde - já foi livro da semana por aqui. É uma resposta à pergunta: se você pudesse fazer qualquer coisa acima da lei, você faria? Pouco mais de 150 páginas e muito o que pensar. A resenha está aqui!

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Os meninos da rua Paulo, Ferenc Molnár (1906)
Quando viajo para algum país novo, gosto de comprar algum livro de um autor de lá. Assim, fico com um pouco do ar, do clima daquele lugar por mais tempo. Assim, quando fui à Budapeste, trouxe a versão em inglês deste Os Meninos da Rua Paulo. O que eu não sabia, não me lembrava de forma alguma, é que já havia me interessado pela obra antes e tinha comprado a versão em português. Doidices à parte, fiz bem. Dei a versão gringa de presente e fiquei com essa. O livro é de uma ternura sem fim e sem diminuí-lo: é, na verdade, sua força. A infância de brincar na rua, as aventuras urbanas, uma história para quem tem coração aberto e que, mesmo assim, traz fortes emoções. Escrito lindamente, nos prende, como se nós mesmos voltássemos às nossas histórias de décadas passadas, possivelmente algum parente seu, mais velho, já leu e gosta também. A resenha segue aqui!

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A revolução dos bichos, George Orwell (1945)
Um livro excepcional. Curto, simples de ler, direto ao ponto. A Revolução dos Bichos é uma imensa crítica social embalada em uma fantasia. Em uma fazenda, os animais se revoltam com suas condições de vida e trabalho e resolvem assumir o poder, expulsando o dono humano. Esta revolução cria uma comoção local - os fazendeiros do entorno passam a se sentir ameaçados, com medo que esta nova onda se espalhe. Ótimo livro para o momento, mesmo sendo escrito em 1945, nunca foi tão atual, da mesma forma que 1984, lançado anos depois. Dois clássicos fundamentais. A resenha desta Revolução está aqui.

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A sangue frio, Truman Capote (1965)
A Sangue Frio conta a história do massacre de uma família no Kansas e da vida dos assassinos, no corredor da morte. O livro é impressionante e a intimidade que o escritor cria com os criminosos põe em cheque questões impensadas na época. Além da forma brilhante de contar, própria de Capote, o livro nos inspira e transforma, quando pensamos em o quanto se deve pesquisar e até onde ir para chegar às verdades de um fato - inclusive se reinventando enquanto escreve. Impressionante, a maior obra do autor, que também escreveu Bonequinha de Luxo, anos antes, em 1958. Os dois livros viraram filmes, em 2015 o primeiro, com Phillip Seymour Hoffman e o segundo, que virou clássico, com Audrey Hepburn em 1961.

Cem anos de solidão, Gabriel García Márquez (1967)
Cometi o amadorismo de emprestar a minha cópia para alguém e ela se perdeu neste mundo de meu deus. Com isso, pedi licença ao autor para ilustrar estes comentários com a capa de outro livro seu, que deixo quietinho, com o título coberto (mas é O amor nos tempos do cólera, que também é um grande livro - risos). Sigamos! Obra mais jovem desta lista, Cem anos de Solidão é indiscutivelmente um clássico imenso da literatura colombiana, latinoamericana e mundial. Gabriel García Márquez sempre foi um dos maiores contadores de histórias e esta é sua obra máxima, sobre a família Buendía, uma saga de todos os tempos, com traços surrealistas próprios de um mundo entre uma realidade dura e o sonho que torna tudo tolerável. Lindo, vale conhecer as hereditariedades, a importância da família como legado e herança - nem que seja apenas de histórias e aprendizados. Também já foi livro da semana aqui mesmo, vale a visita.

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Já leu algum destes? Me conta o que achou? Segue novamente a listinha para facilitar, caso se interessem em comprar. Ah! E não deixe de passar no Buy me a Coffee para garantir aquela dose de cafeína necessária para vivermos melhor =)

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