Livros: uma missão quase impossível ou como voltar a ler em 2020

by - julho 23, 2020

2020 não é um ano para amadores, isso já deu para entender. O grande desafio, além de manter a saúde física e mental nestes tempos, é tentar estabelecer uma rotina e não perder os bons hábitos, as coisas que se podem fazer em casa sem prejuízo e com muito prazer. Por isso, trago umas dicas de como voltar a ler neste meio de ano, depois de quatro meses em isolamento social e ainda na pandemia. 

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Começamos 2020 felizes, com aquela ideia de que Feliz Ano Novo era apenas a expressão clichê da continuação de 2019, o dia seguinte ao 31 de dezembro. Passamos o verão, aqueles três meses em que as festas aumentam com as temperaturas, todo mundo um pouquinho mais bronzeado e no Carnaval corre a notícia de que há um vírus aleatório no interior da China. Interior. Da China. A China é longe, estamos seguros.

Uma rasteira imensa e aquele desafio que você se impôs no Goodreads virou uma piada de mau gosto. Pandemia, quarentena, isolamento social, pânico, medo de estar doente sem saber, de contaminar familiares. Dar banho em sapatos, chaves, telefones celulares, compras de supermercados, sacos de compras de supermercados. Ter medo de pegar elevador, ir à rua e até de brincar com os cachorros dos vizinhos. Como um filme de ficção científica exagerado, o medo do invisível se tornou real e, em oposição ao desgoverno brasileiro, os que puderam, trancaram-se em casa.

Com isso tudo, a situação está posta: temos tempo, não temos mais aquela desculpa de ter que fazer isso ou aquilo, trabalhamos - ou não - de dentro de casa. Voltamos aos livros? Mas, como? E as notícias horrorosas, as cidades fechadas, os amigos, os familiares, o medo, a ficção científica? Calma, que tem jeito para isso - e eu, que não sou coach, pensei em umas ideias para ajudar a resolver! =D

  • Revisite o Goodreads: se você é usuário, já sabe do que vou falar. O Goodreads, para quem não conhece, é uma rede social de leitores. Isso mesmo, você entra, cadastra os livros que leu e os classifica, pode escrever resenhas, marcar os que não leu e quer ler e até participar do desafio anual de leitura em que você mesmo define quantas obras acha que conseguirá ler até o fim do ano. O aplicativo - rede social apenas atualiza de acordo com seus inputs. Ali, você vai encontrar alguns amigos e trocarão figurinhas e conversas literárias. Então, como os anos anteriores não foram pandêmicos, consegui uma média boa de leitura e em janeiro me impus uma ainda maior. Hoje, estou com um atraso considerável de quase 10 livros. A solução? Rever a meta, considerando o panorama mundial e tentar contar com um número realista para as nossas condições. Assim, não há frustração, mas uma injeção de ânimo e visitas mais frequentes às estantes.

  • Pense no tamanho. Como sabemos, tamanho é documento. Os livros mais robustos têm lugar cativo em nossos corações, por nos darem a oportunidade de acompanhar uma história ou saga sem pressa, no tempo em que amadurecemos a trama dentro de nós, a construção complexa de seus personagens. Não que um livro menor não consiga isso, mas quando pegamos um grande, precisamos estar preparados, ter fôlego para seguir em frente. Aqui, a sugestão é simples: invista nos grandes livros pequenos. Sim, aqueles clássicos ou indicações com menos de 300 páginas. Assim, sabemos que quando a cabeça começar a divagar em territórios pantanosos, temos uma obra já pela metade ou quase isso e conseguimos seguir em frente mais facilmente. Com um livro de 1500 páginas fica um pouquinho mais complicado, porque a linha de chegada é mais distante. Sargento Getúlio, de João Ubaldo Ribeiro, O médico e o monstro,  de Robert Louis Stevenson e Bonsai, de Alejandro Zambra são exemplos de obras magníficas e curtas para ajudar nesta retomada. 

  • Crie um ambiente. A essa altura, se você conseguiu trabalhar de casa, já estabeleceu um espaço - ou uma mesa - para isso. Agora, o objetivo é definir onde ler. Não pode ser no mesmo espaço do trabalho, são momentos distintos e que precisam ser assim definidos. No sofá, na rede, em um cantinho no chão mesmo com uma almofada, numa poltrona, na cama. Uma luz indireta, se possível, para não estressar os olhos, um café no ponto e está resolvido. Nossa casa é nosso refúgio, é onde nos reestruturamos e recarregamos as energias. É preciso ter um clima também para a leitura, de sossego e concentração, para entrarmos em um novo mundo. Arrume a casa, encontre um espaço e crie este ambiente aconchegante.

  • Dedique tempo. Estando em casa todos os dias isso parece simples, mas é uma situação capciosa. Em casa somos faxineiras, cozinheiros, serventes e profissionais do nosso ofício. Em casa, muitos de nós tem família, crianças, cachorros, gatos, cônjuges. Por mais que não sair de casa signifique mais tempo, a rotina toda precisa ser refeita considerando a atenção dividida mais vezes e com maior duração. Separe um espaço-tempo na sua agenda, informe a todo mundo que aquele momento é seu e, depois de algum debate e tensão, vai dar tudo certo. Sem isso, é melhor desistir. Precisamos de um tempo para nós e se for este o tempo da leitura, o ganho é triplicado - é educação, conhecimento e prazer em um hábito simples e barato (a princípio).

  • Por fim, leia sem pressa. Não é uma corrida de obstáculos, não é uma competição. É uma atividade prazerosa e que só traz ganhos. Por isso, é importante ter a leitura como uma fonte de redescoberta, como o que sentimos quando vemos um grande filme ou quando acompanhamos um seriado fantástico. Um bom livro, lido com calma, nos provoca todas as sensações, de suspense, curiosidade, alegria, talvez alguma tristeza com o conforto de não ser nossa, a vontade de partir para uma nova aventura com o caminho todo aberto e livre da imaginação. Não precisa ler tudo correndo, deixe o tempo atravessar a obra nos momentos mais complicados do dia a dia, retorne a ela como se estivesse reencontrando alguém e pudesse abraçá-lo depois destes meses de isolamento. Vai ser uma grande experiência.
Considerando estas dicas, dá para respirar fundo e abrir aquele livro que está pegando poeira na mesinha de cabeceira ou na estante. E, se tiver alguma dica de como melhorar o hábito de leitura, comenta aqui! Para me acompanhar no Goodreads e trocarmos figurinhas literárias, é só clicar. :)

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