De primeira viagem: nem muito, nem tão pouco

by - julho 12, 2020

camila-castro

Da felicidade a mil para sofrência a mil (exagerando, mas no fundo nem tanto!). Mas, vou te falar, hein! Como romantizam a gravidez. Os três primeiros meses foram horríveis, pelo menos pra mim (desculpa, galerinha, momentos nojentos a seguir). Todo dia eu acordava e corria para o banheiro passando mal. E doce ilusão de enjoo apenas matinal, ficava nisso o dia inteiro! Às vezes ia para o segundo round no banheiro (por sorte minha, só ia, no máximo, duas vezes por dia... Talvez por estar comendo tão pouco...). A sensação é de que você está numa ressaca que nunca vai acabar.  

E o olfato? Fica ultra sensível e os cheiros parecem bem mais fortes do que você jamais imaginou. Cozinhar? Impossível. Alho e cebola, que eram seus melhores amigos na hora de temperar a comida, viram seus piores inimigos. Então, dá logo a responsabilidade para o papai cozinhar porque essa se torna uma coisa quase impossível de se fazer, a não ser que você cozinhe só besteira sem cheiro (tipo nuggets ou macarrão, arroz ou batata sem tempero nenhum). Enquanto isso, você fica com a responsabilidade de lavar a louça, essa LOUÇA que não acaba mais na quarentena. (Saudades de comer na rua, né minha filha?)

Uma coisa boa da quarentena (e infelizmente por estar afastada temporariamente da empresa – isso é uma opção legal na Irlanda, constando nos contratos de trabalho. Se vocês acham as leis trabalhistas brasileiras ruins, não vão morar na Europa. A maioria das leis trabalhistas dos países europeus é bem desfavorável aos empregados, muito por conta da seguro desemprego que os governos bancam) é poder ficar de molho para o todo sempre em casa sem ter que me preocupar como seria se tivesse que passar mal na rua, no caminho para o trabalho ou até mesmo em alguma loja ou restaurante. Por outro, ficamos com a preocupação de como faremos para manter nossa família, agora de 3, com dois pais afastados dos empregos. Complicado.

A Irlanda é um país sensato, ainda bem, e criou um auxílio financeiro para quem perdeu ou foi afastado do seu ganha-pão por conta do coronavírus. Toda semana, por 12 semanas, o governo deposita €350 para essas pessoas, com possibilidade de expandir por mais tempo, a depender de como a crise evoluir. É a hora em que temos o retorno dos suados impostos pagos. 

Mas, e quando acabar esse período? 
Afinal, somos estrangeiros e não temos todos os direitos que os cidadãos têm. 
Vamos voltar aos nossos antigos empregos? 
Vamos ter que procurar novos empregos? 
Como vou conseguir outro emprego estando grávida? 
Seria de má fé não dizer ou devo informar nas entrevistas que estou grávida? 

Fato: na Irlanda não pode se fazer algumas perguntas pessoais na entrevistas, como idade, raça, país de origem, gênero, religião, estado civil e orientação sexual. Se te perguntarem sobre gravidez, você não é obrigado a responder, porque é contra a lei aqui não contratar por conta de uma gravidez, mas, ao final, eles podem encontrar outros motivos para não te contratar. O único caso para você informar sobre a sua sua gravidez numa entrevista seria para uma vaga que possa ser prejudicial ao bebê, o que é um paradoxo, já que dificilmente você se candidataria a algo assim. 

De algum jeito, nosso santo é forte, Eparrey Oyá!, e meu marido Leo, em plena pandemia, foi contratado para trabalhar de casa. Então, a preocupação de como iremos nos manter diminuiu um pouco e eu posso curtir essa tão desejada gravidez do jeito certo: ficar de molho até esse enjoo eterno passar e esperar a cartinha com a data da consulta no hospital. 

Segura aí, que já já eu te conto um pouco mais sobre a vida aqui com o relaxamento das medidas de isolamento social, como tá sendo esse novo dia a dia e sobre esses trâmites modernos que envolvem os Correios e os serviços de saúde na Irlanda. E para ver onde tudo começou, clica aqui!
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Quem escreve
Camila Castro (Cam, Camy, Camis, Camilinha) é engenheira de produção e vive com o marido e o futuro bebê em Dublin, na Irlanda. Potiguar, morre de saudades do calor nordestino, das comidas e dos amigos de todos os lugares, mas encontrou seu cantinho no mundo para tocar a vida com mais tranquilidade. Você a encontra no linkedin e no facebook. Fala com ela!

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