Fernanda Montenegro: 5 filmes fundamentais

by - junho 09, 2020

A Artista de Cinema de junho é ninguém menos que Fernanda Montenegro. Já vimos uma rápida biografia e agora vamos partir para algumas de suas produções. A seleção foi difícil e voltada para nosso cinema brasileiro. 

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Fernanda Montenegro
Fernanda Montenegro é um de nossos ícones culturais. Por mais que ela se considere uma reles mortal, mesmo sem querer, ela é uma referência de Brasil, como dizem, do Brasil que deu certo, que nos traz orgulho, que não nos faz passar vergonha. Com uma carreira diversa e extensa em rádio, tv, cinema e teatro, é possível encontrá-la em muitas produções. Como Artista de Cinema de junho, eis cinco filmes de destaque, para conhecermos um pouco mais sobre a atriz.

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A vida invisível (2019)
Adaptação do livro de Martha Batalha, A vida invisível de Eurídice Gusmão e dirigido por Karim Ainouz, não é exagero dizer que, desta vez, o filme supera o texto. O drama conta a história de duas irmãs que se separam quando uma decide viver um grande amor fora do país e a outra permanece e se casa, com a ambição de seguir para Viena tempos depois. Nestes desencontros, as duas acabam vivendo no Rio de Janeiro sem uma saber da outra, por anos a fio. No filme, acompanhamos as duas estórias em paralelo e vemos o crescente da trama com a sensibilidade que só o diretor de O Céu de Suely (2006) consegue imprimir junto a seu elenco, com Julia Stockler, Carol Duarte e Gregório Duvivier. Fernanda Montenegro faz uma participação definitiva e impressionante, com poucos gestos e transmitindo, quase sem palavras, tudo o que precisamos saber e sentir. Levou o prêmio Um Certo Olhar, do Festival de Cannes 2019.

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O auto da Compadecida (1999)
O texto é do magnânimo escritor Ariano Suassuna e esse filme, que também é uma minissérie, é uma produção da Globo, com direção de Guel Arraes. Conhecido do público e o filme brasileiro preferido de muita gente - de meu pai, inclusive - é uma comédia sobre céu, inferno, religião, ambição e humanidade. O texto é uma delícia, os atores estão em sintonia e são nomes de peso em nosso audiovisual e Fernanda Montenegro, nossa Artista de Cinema, chega com tudo, como a mãe de Jesus, Maria. É ela que guia e sela o destino destes rapazes, nessa trama nordestina e carregada de sotaques, crítica social e ingenuidade. Vale muito a pena. Você pode comprar esta maravilha aqui.

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Gêmeas (1999)
No mesmo ano e seguindo outro caminho, vemos outra adaptação literária de um grande nome, Nelson Rodrigues e dirigida por Andrucha Waddington. Aqui, o suspense gira em torno de duas irmãs gêmeas, Iara e Marilene, interpretadas por Fernanda Torres, filha de Fernanda Montenegro, que faz uma participação. Na trama, ao nascer, não esperavam gêmeas e chegam ao mundo como prenúncio de uma tragédia, como o próprio pai (Francisco Cuoco) explica ao noivo de uma delas. Com toda a carga que só Nelson Rodrigues consegue trazer ao texto, há uma morbidez inteligente que nos deixa instigados a participar do jogo de sedução e briga de poder entre as irmãs. Veja o trailer.

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Central do Brasil (1998)
Um dos filmes mais famosos e bem criticados do país, Central do Brasil é uma marca histórica do nosso cinema. Dirigido por Walter Salles, o mesmo de Jia Zhangke - um homem de Fenyang (2015) e Na estrada (2012), baseado no livro clássico de Jack Kerouac. Dora escreve cartas para pessoas analfabetas na Central do Brasil, uma estação de trens de passageiros da cidade do Rio de Janeiro. Ela conhece Josué, uma criança que vive com os irmãos, perdeu a mãe e está em busca do pai, que ainda não conhece. Juntos, Dora e ele embarcarão nesta saga que os levará a lugares menos turísticos do país, trazendo parte do Brasil real para as telas. Lindo, emocionante, nos faz reconhecer nossa diversidade cultural de uma forma sensível e arrebatadora. Fernanda concorreu ao Oscar de Melhor Atriz e é, ainda hoje, a única brasileira a chegar até lá.

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Eles não usam black tie (1981)
Adaptação da peça homônima de Gianfrancesco Guarnieri e tendo ele como um dos atores principais, este é uma obra prima de nosso cinema. Leon Hirszman. Um dos diretores de Cinco Vezes Favela (1962), um dos filmes mais importantes de nossa história cinematográfica, de A Falecida (1965), também com Fernanda Montenegro e de ABC da Greve (1990), traz uma história nos anos finais da ditadura e sobre a ditadura. Todos já sabiam o que se passava nas salas do DOPS e promover uma greve geral em uma indústria era tido como um ato subversivo, ainda que fosse um direito do trabalhador. Fernanda Montenegro é Romana, a esposa de Otávio (Guarnieri), que é envolvido politicamente no processo. Em sua família, há o filho mais velho que também trabalha lá e tem uma visão diferente do pai. Ele acha que é melhor não se envolver e garantir o seu, em vez de lutar por um bem comum. Impressionante, a atriz domina absolutamente todas as cenas em que aparece, especialmente aquelas que envolvem os atores mais jovens, com uma sensibilidade e simpatia, como se sua personagem fosse uma de nós. Esse filme está completo no Youtube e grátis, numa qualidade razoável, mas que dá para ver. Deu saudade das aulas de cinema da graduação, de discutir a imagem do Brasil e do brasileiro nas telas e em filmes 'de verdade'.

Para saber mais sobre a vida de Fernanda Montenegro, comece aqui e para descobrir nosso Artista de Cinema de Maio, coisa que aconselho fortemente a fazer, clique neste link! =)

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