Artista de Cinema: Fernanda Montenegro

by - junho 03, 2020

Chegamos em junho, ainda em quarentena e com revoluções pequenas e grandes estourando em alguns países, enquanto o nosso segue tentando se firmar em meio à crise política e sanitátia. Aqui em Salvador, ainda há um tanto a aguardar, o governador Rui Costa (PT) e o prefeito ACM Neto (DEM) estão nesta cruzada, ferrenhos e vigilantes para impedir o avanço da pandemia. É um alívio ver que, na verdade, o estado da Bahia inteiro caminha na mesma direção, independentemente de partidos e ideologias. O fato é que seguimos em casa, isolados e pacientes - e impacientes - aguardando dias melhores.  

Para seguir a vida nesta não tão nova rotina, é hora de conhecermos o Artista de Cinema de junho, uma mulher única no Brasil, uma força serena e firme, a dama e rainha do Cinema, da TV e do Teatro brasileiros, Fernanda Montenegro. 

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Fernanda Montenegro

Arlete Pinheiro Esteves da Silva se transformou em Fernanda Montenegro quando começou a escrever e trabalhar na rádio Ministério da Educação e Cultura (Rádio MEC), no Rio de Janeiro dos anos 40. Ao lado da rádio, funcionava o teatro amador dos alunos da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, onde ela entrou e começou a carreira de atriz. Entre os dois trabalhos, ela continuava no Berlitz, um curso de secreatariado onde estudou e depois trabalhou como professora de português para estrangeiros. Ainda naquele tempo - talvez seja marca de todos os tempos - não era fácil conseguir se manter como artista.

Na década de 50, aos 21 anos, começa profissionalmente sua carreira de atriz no teatro e em 1951 na TV Tupi, como a primeira atriz a ser contratada pela extinta emissora carioca. Casa-se com o ator Fernando Torres em 1953 e nos anos 60 nascem o diretor de cinema e publicidade Cláudio e a atriz Fernanda Torres. Ainda nos anos 50, a Tv Tupi transmitia peças de teatro e já ali a atriz participou de oitenta delas. Em 54, estreia na primeira telenovela da TV Record, A Muralha e em 1959 abre sua própria companhia de teatro, o Teatro dos Sete, com o marido, Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Gianni Ratto, Luciana Petruccelli e Alfredo Souto de Almeida. Daí em diante, Fernanda já era a grande dama da dramaturgia brasileira, status que nunca perdeu.

Com experiências em Cinema, Literatura, Teatro e TV, ela faz parte da história da cultura brasileira, tendo recebido mais de vinte prêmios em todas as mídias e trabalhado com quase todos os grandes nomes da cultura nacional de todas as décadas, como Nelson Rodrigues, Matheus Nachtergaele, Paulo Autran e muitos outros, já que ela, sozinha, era quase sempre o maior de todos. Sua importância não reside em ser emblema nacional, mas sim, como uma força cultural de resistência, de fomento à arte, ao povo e respeito pela profissão. Com 90 anos feitos em outubro de 2019, a atriz havia lançado um pouco antes seu itinerário fototobiográfico e agora sua autobiografia, um presente para nós, uma sorte de tê-la no país. Fernanda é uma força ativa no Brasil, confirmando que não existe idade para pensar e se manifestar criticamente à nossa infeliz situação política. 

Em isolamento na região serrana do Rio de Janeiro, ela indicou que está retomando sua agenda e que segue produzindo, nem que seja para a internet. Em todo caso, se mantém presente como voz firme nas mídias e entrevistas que faz. 

Há um infinito de coisas para falar desta atriz que não precisa de adjetivos. Nas próximas semanas, aumentaremos este arquivo com suas produções de destaque, premiações, livros, o que falam dela na mídia, o que ela mesma fala de si e dos outros, leituras poéticas e até seu instagram, que traz muito do que ela vem produzindo. É um prazer e honra fazer este ensaio de perfil para uma artista de cinema e dos outros meios. E que venham as cenas dos próximos capítulos!

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