Os Filmes de Dona Stela

by - junho 07, 2020

Hoje é o aniversário dela. A mulher da minha vida, razão do meu viver, inspiração e força. Stela ou Dona Stela como gosto de chamar pra pirraçar, é minha mãe e nessa quarentena de isolamento social, pandemia, coronavírus e apocalipse, demos a sorte de estarmos juntas, com meu pai e minha irmã, que encontramos de longe, já que ela segue trabalhando. Riqueza maior do que essa não há. Coloquei essa nossa foto de super crianças (nós três, no caso) só para dar aquela vontade de sair (re)produzindo por aí.

minha mãe, eu e minha irmã no século passado
Estes dias andei perguntando a minha mãe sobre as coisas que ela gosta de ver e fazer. Estou de volta ao convívio com ela mais intensamente neste período de isolamento social, voltei pra Salvador e nos vemos e vimos mais nestes últimos meses do que nos últimos doze anos em que estive na ponte aérea Salvador - Rio de Janeiro. Meio doido isso. O fato é que, hoje é seu aniversário e nada mais justo do que lhes apresentar a lista de filmes que ela adora, sempre revê e sempre se diverte. Uma sorte danada ser filha dela, um amor desse, uma entrega. Sem ela, não somos nada e seu gosto de filmes só reforça isso, o tamanho de seu coração romântico e caloroso. Perde tempo não, tá tudo aqui:

Orgulho e preconceito (2005)
Este está na nossa lista comum. Na verdade, está também na lista de algumas amigas que gostam de Jane Austen e dessa adaptação maravilhosa. É um dos filmes de romance e super românticos que mais gosto, a mocinha orgulhosa e o mocinho preconceituoso, uma história para nos tirar do cotidiano e achar que a vida pode sim, ser inocente, apesar das dificuldades em ser mulher, e doce de vez em quando. O texto é da brilhante Jane Austen, autora de tantos livros de ficção e romance, trazendo os costumes e comportamentos da Inglaterra do século dezenove. Ela foi uma das vozes primordiais a tratar sobre gênero e suas desigualdades da era georgiana e esse é seu livro mais famoso, conhecido em todo o mundo e que serviu de influência para grandes autores e outras obras. Você encontra ele no Telecine Play.

O diário de Bridget Jones (2001)
Vamos lá: sabemos que o filme é bobo, isso dá pra ver no poster, mas é muito legal! Para quem perdeu este bonde, Bridget Jones (Renée Zellwegger) trabalha em uma editora de livros e leva uma vida de solteira, morando sozinha em Londres. Tudo o que parece glamouroso nessa frase, perde contexto aqui, já que a ideia é trazer um pouco para a realidade - a vida de solteira é mais entediante do que animada. O fato é que ela tem seus amigos e familiares e uma quedinha pelo diretor cafajeste da editora, Daniel (Hugh Grant). As coisas andam, ela conhece o famoso Mark Darcy (Colin Firth), este sobrenome não é à toa - é o mesmo do mocinho de Orgulho e Preconceito aí de cima. A graça aqui está em tudo parecer 'real' demais, mesmo se tratando de uma comédia romântica, às vezes exagerada. As relações familiares, as peculiaridades dos personagens, a narração da própria Bridget enquanto escreve seu diário, e esse trio fazem valer o ingresso. Assisto mil vezes e mil vezes me divirto. Minha mãe também. Foram feitos outros dois filmes depois desse, mas assistindo o primeiro, já resolve. Está no Google Play.

Kramer vs. Kramer (1979)
Dustin Hoffman e Meryl Streep. Kramer vs Kramer foi um dos filmes listados para assistir antes de ir ao curso de roteiro que fiz em NY e é um dos filmes favoritos da minha chefe familiar. Sim, até eu fico pensando que foi em outra vida de tão distante, mas a viagem aconteceu mesmo, em 2012 e foi muito legal. Voltando ao filme, encontramos este casal sem igual na cena hollywoodiana, mas em crise na história. Joanna Kramer decide sair de casa e deixa Ted Kramer com a tarefa de conciliar o trabalho, a vida doméstica e a educação do filho ainda criança. O filme joga com essa relação homem x mulher, poderes e deveres, relações machistas e readaptação. É muito mais complexo do que um drama de divórcio e muito mais interessante também. Já vi mais de... sei lá, 6 vezes desde que fui ‘obrigada’. É um dos melhores filmes feitos e é muito despretensioso, o que o torna mais especial. E convenhamos: Meryl Streep e Dustin Hoffman juntos não poderiam fazer um filme ruim. Levou os principais prêmios do Oscar de 1980 e está no Google Play e na Apple TV.

História de um casamento (2019)
Recentíssimo, esse filme poderia ser uma variação de Kramer Vs. Kramer. Adam Driver e Scarlett Johansson são esse casal que se ama, mas o relacionamento segue um caminho complicado. Com um filho criança e tendo que decidir o futuro da relação, é uma trama adulta sobre um jovem casal, cujos desejos de vida contrastam tal qual suas identidades. De Noah Baumbach, o mesmo do adorado Frances Ha, é como se o diretor houvesse amadurecido o tema de um filme no outro – relações humanas e comportamento. Uma delícia de ver apesar do teor sério, pela sinceridade em temas difíceis. Grandes interpretações. 

O guarda costas (1992)
Agora me diga se esse não é um clássico? Quando você lembra do filme, você não lembra dele de verdade, eu descobri isso. Você lembra da música de Whitney Houston e quase chora, porque então você lembra como sua vida se encerrou de uma forma tão incrivelmente triste. Agora mesmo, enquanto escrevo, me dá um aperto no coração. Também, porque se alguém passar incólume à sua música, terá certamente um atestado de psicopatia. O filme é o romance entre Whitney Houston e Kevin Costner, outro casal improvável, mas que funciona bem na trama. Ela artista, ele seu guarda costas, como o título do filme. É lindo, romântico até não querer mais e é a cara de minha mãe. Eu prefiro ouvir a música de vez em quando e só uns pedaços, que meu coração não aguenta. No Google Play.

O diário de uma paixão (2004)
Essa é uma das nossa grandes dissonâncias, minha e de dona Stela. É o que prova que ela consegue ser mais romântica do que eu umas vinte e cinco vezes, mais ou menos. Eu acho esse filme meio chato. Meloso demais, me tira a paciência. Sei que é um dos filmes adorados de seu público, especialmente com Ryan Gosling e é para quem gosta mesmo de uma coisa água com açúcar. Eu preciso de pimenta e café para somar nessa conta - um tempero a mais, um risco de comédia. Mas entendo o gostar. É um filmão para muita gente e deixa todos com o coração mole. Está na Netflix.

Como se fosse a primeira vez (2004)
Esse é um filme que todo mundo gosta. Outro casal improvável, mas que funciona bem na trama: Henry (Adam Sandler) se apaixona por Lucy (Drew Barrymore). Ela sofre um acidente e perde a memória recente então, sempre precisa ser lembrada de certas coisas e, uma delas, é seu par romântico. Henry tenta tornar possível essa recordação e se envolve com ela pela primeira vez todos os dias. Fofo, leve e engraçado, esse sim, uma boa aposta para estes tempos - quando queremos de verdade, esquecer os momentos atuais e pular para dias mais amenos. Com trilha sonora dos Beach Boys, um dos melhores filmes de verão. No Telecine Play, Netflix, Google Play.

Sissi, a imperatriz (1955)
Desde que eu sou bem pequena, que minha mãe fala deste filme. Ela gosta de um drama e sempre foi muito apaixonada por Sissi e sua trágica história, que foi amenizada em filme pelo vienense Ernst Marischka. Com uma vida triste e difícil apesar da rotina na aristocracia - ou talvez por ela, Sissi virou um ícone de personalidade e resistência, ou sobrevivência. Este clássico você encontra completo e grátis no youtube, bem como toda a trilogia.

O amor não tira férias (2006)
Anteontem eu falei aqui da minha apreciação por Nora Ephron. Nancy Meyers é outra que leva meu coração, no aspecto filmes legais americanos. Elas deveriam ser amigas, não é possível. Ela é a diretora de Do que as mulheres gostam (2000), Alguém tem que ceder (2003), este de que falamos, Simplesmente Complicado (2006) e Um senhor estagiário (2009). Todos os filmes são leves, mas não bobos. Carregam uma comédia boa sobre comportamento e relacionamentos dos mais diversos tipos. São filmes de estação, verão ou inverno, mas que dão vontade de assistir em qualquer época, porque carregam aquele selo de feel good movie de que tanto carecemos nestes último meses. Em O Amor não tira Férias, Amanda (Cameron Diaz) e Iris (Kate Winslet) moram em Los Angeles e no interior da Inglaterra, respectivamente. É fim do ano e os climas das duas cidades são quase opostos, mas as duas, que se conhecem online em uma espécie de AirBnB, só que de troca de casas, resolvem fazer isso, um intercâmbio e trocam seus endereços por um tempo. A partir disso, uma conhecerá os amigos e parentes da outra e tudo vai dar certo, depois de um tempo. Divertido, com ótima trilha sonora, engraçado de verdade e terno, está no Amazon Prime, Looke, Apple TVTelecine Play.

Um lugar chamado Notting Hill (1999)
Hugh Grant fez umas besteiras na vida dele, isso é inegável, mas ele também fez grandes filmes. Este é um dos mais românticos e é muito fofo. Com grande trilha sonora, trata do amor de um livreiro de Notting Hill - bairro charmosíssimo de Londres - por uma atriz de Hollywood que está fazendo um filme ali perto. É daquelas histórias improváveis, mas, que as boas atuações garantem o enredo e nos carregam pela trama. Minha mãe ama esse filme, porque, na verdade, ela é mais fissurada em música do que em cinema e esse aqui tem os dois. Pelas cenas engraçadas, dá para assistir várias vezes sem cansar. No Telecine Play, Google Play, Apple TV e Looke.

Agora, com licença, que está na hora dos parabéns, de escolher um desses filmes e assistir com ela, a melhor mãe e mulher que eu conheço. 

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