Crítica: Alive, Jimmy Olsson

by - maio 15, 2020


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Com seu novo filme, Alive, Jimmy Olsson promete arrebatar novamente os festivais de cinema e público mundo afora.


Em tempos de COVID-19, tudo o que precisamos é de alguma leveza para seguirmos em frente, novas perspectivas e narrativas, um horizonte mais ameno como futuro. Os streamings trazem uma oferta de filmes de quase todos os tipos, mas sempre sentimos falta de algo novo, que salte aos olhos, nos provoque, embaralhe nossas ideias. Assim é Alive, o novo curta de Jimmy Olsson


Victoria (Eva Johansson) é uma mulher que convive com uma deficiência motora importante. Ela tem uma cuidadora, Ida (Madeleine Martin), que lhe faz fisioterapia, exercícios e companhia. Ao conhecer o namorado de Ida, Victoria percebe que lhe falta algo, uma forma de se sentir viva, de contato, de sentir. As duas abrem uma conta no tinder e Ida passa a se questionar se os futuros encontros serão uma alternativa segura para Victoria. Um mundo de ideias em pouco mais de 20 minutos.


A direção de Olsson é precisa, construindo uma tensão na trama que faz nos faz perder a noção do tempo. Esse controle da duração em um formato curto há que ser como o de um conto em oposição a um romance: preciso sem ser sucinto, conciso sem perder as nuances. O filme nos ganha ao conhecermos as duas mulheres e querermos saber mais sobre elas, participar de suas vidas, entender o que falta e sobra em cada uma e então, o desenrolar dos possíveis encontros, o andar da narrativa. É um filme sem pressa e quando termina, deixa um misto de satisfação, surpresa e vontade de ver mais, de continuar por ali. 


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Ida (Madeleine Martin) e Victoria (Eva Johansson)

Entre os olhares de preocupação de Ida e a ansiedade de viver de Victoria, percebemos duas mulheres que ultrapassam as relações de trabalho e confirmam uma amizade e força femininas de cuidado e coragem. Eva Johansson impressiona em uma atuação magistral de poucos gestos e esse controle de um corpo que foge ao controle parece tão real que, sem conhecer a atriz, não sabemos se é ou não uma pessoa com deficiência. Ao mesmo tempo, Madeleine Martin desenvolve uma Ida madura e profissional, em uma relação adulta sem condescendências com Victoria, mas mantendo um carinho, uma afetividade que imprime realidade em cena.

 

O diretor sueco tem por prática tocar em temas fortes e sensíveis da sociedade. Seus outros filmes, Repressed (2011), Caesar (2014) e 2nd class (2018), retomam o cuidado que vemos em Alive. Ainda que cada um tenha um foco específico, o conjunto garante uma atenção ao comportamento social, tornando-o universal – não à toa, os filmes rodaram festivais ao redor do globo, alavancando diversas premiações. Alive, em uma tacada só, mexe com nossa intimidade, os afetos, a forma como nos relacionamos, ao mesmo tempo que parte para o macro, o risco dos aplicativos de relacionamentos e a segurança das mulheres – particularmente, em situação vulnerável – as diferentes percepções e preconceitos que guardamos em nós. É muito assunto para pouco tempo funcionando, inclusive, com poucas palavras. Vale cada minuto.


O filme segue o tour dos festivais. Acabou de passar no Cleveland International Film Festival, no fim de maio estará no Brooklyn Film Festival e em junho será exibido na Espanha, no Festival Internacional de Cine de Huesca. A expectativa é de que chegue ao Brasil para o 14ª CineBH e para a 44ª Mostra de São Paulo, previstos para setembro e outubro, respectivamente. O trailer você confere aqui e para conhecer um pouco mais o trabalho do diretor, o acompanhe no instagram e twitter.

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