Alfred Hitchcock: multimídia

by - maio 26, 2020

Hitchcock foi um diretor de múltiplos talentos. Se ainda hoje ele é referência e base de estudos para a formação de qualquer pessoa na área, é por conta do seu próprio desenvolvimento enquanto artista de cinema, profissional e estudioso. Ele, como sabemos, desenvolveu técnicas de filmagem e teorias ainda hoje aplicadas e, não só isso, como também ingressou para a televisão, adaptando a narrativa cinematográfica para outros meios, nos mostrando, desde cedo, que é importante ter um conteúdo forte e atraente, para além das pirotecnias e formas. 

Na edição de hoje do #artistadecinema, a última com o mestre do suspense, fiz um pente fino do que tem de legal, além de seus filmes, sobre ele na rede, o que encontramos facilmente, um pouco do Hitchcock Presents e muito mais. Aproveita!

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Alfred Hitchcock
Como um mestre adorado no mundo todo, Hitch é frequentemente atualizado nas redes sociais e na mídia de forma geral, com citações em filmes, montagens, brincadeiras com a filmografia do mestre e por aí vai. O diretor foi um homem carismático, ainda que rígido com seus atores, e, além disso, aparecer nunca foi um problema. Imagino que vaidade também era algo que lhe pertencia. Quem viu seus filmes, sabe que ele aparece em todos, em uma pontinha, como figuração. É uma marca dele e qualquer diretor que faça o mesmo é lembrado como 'ah, igual a Hitchcock'. Enquanto muitos diretores preferem apenas o backstage, este está em todos, literalmente. Neste link, há uma compilação de suas aparições (cameo, em inglês) em seus filmes.

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Hitchcock Presents
Entre 1955 e 1965, Hitchcock produziu e apresentou um programa de televisão na CBS e na NBC, chamado Hitchcock Presents. Eram episódios de suspense de 26 minutos, e traziam um pouco da graça dos seus filmes para a tela pequena. Entre 62 e 65, mudaram o título do programa para The Hitchcock Hour, com o dobro da duração do anterior. O diretor abria cada episódio, contando um pouco do que estávamos prontos a assistir e os fechava, quase como uma distorcida lição de moral. Com seu tom irônico e instigante de sempre, vale buscar os episódios só pela graça de ter o diretor um pouco mais perto. O programa é tido como um dos mais bem feitos da história da tv americana até hoje. Muita gente boa participou do programa, como Robert Redford, Vera Miles, Steve McQueen, Bette Davis, Jessica Tandy e John Cassavettes. Entre os diretores, encontramos com os impressionantes William Friedkin (O Exorcista, 1973), Robert Altman (Assassinato em Godsford Park, 2001), Robert Stevenson (Mary Poppins, 1964) entre outros.

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Hitchcock/Truffaut - o filme
Como é sabido, François Truffaut, um dos grandes nomes do cinema francês, era aficionado por Alfred Hitchcock. Conforme já indiquei aqui, ele fez uma série de entrevistas com o mestre, que virou um dos maiores livros sobre cinema já feitos, o Hitchcock/Truffaut. Além disso, como profissionais de audiovisual, é claro que gravariam todas as entrevistas. Anos mais tarde, isso se transformaria em um documentário de mesmo nome, que você pode assistir no Philos. Vale muito a pena. É como uma conversa íntima sobre tudo o que mais amamos - o cinema - e seus artistas e técnicas. 

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Hitchcock e Mac Guffin
O MacGuffin é um instrumento narrativo que Hitchcock usa bastante em seus filmes. É um argumento pelo qual os personagens se precupam bastante, mas que não importa ao restante da narrativa e muito pouco aos espectadores. Confuso? Em Psicose, por exemplo, o McGuffin seria o pacote de dinheiro que Marion Crane rouba de seu chefe. O detetive, o namorado e a irmã de Marion seguem em busca da desaparecida, pensando que ela poderia estar com o dinheiro. Mas nós, espectadores, estamos vendo Norman Bates tomar corpo e a narrativa mais interessante não está mais no dinheiro roubado e sim, no psicopata que acaba de assassinar nossa protagonista. O pacote de dinheiro é o MacGuffin. Um artifício para iniciar a trama e nada mais. Neste link (em inglês) o próprio Hitchcock explica animadamente a origem do termo e como ele funciona. A Revista Desvio traz alguns exemplos usados em outros filmes do diretor. A tag livros explicou o artifício no meio literário e aqui, exemplos em filmes de outros diretores. 
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Alfred Hitchcock em Marnie, confissões de uma ladra (1964)
Neste 2020, fez 40 anos que o mestre nos deixou. Não por isso, mas pela falta que faz ao cinema, segue reverenciado por toda a classe artística e público. Seus filmes são vistos, estudados e adorados até hoje. Alguns curiosos e estudiosos traçaram perfis e vídeos incríveis, explicando suas influências e comparações com diretores como Luis BuñuelStanley Kubrick, David Fincher, François Truffaut. Da mesma forma, há tratados sobre voyeurismo que se complementam sem saber, como este sobre o olhar e este outro sobre os planos dos personagens de costas. Obviamente, enquanto a câmera observa os personagens de costas, andando ou parados, somos nós espectadores e demais personagens que os assistimos, como voyeurs em ação. Mas não para por aí, há exemplos de como o mestre manipulava as emoções de seus espectadores, outros documentários, análises sobre enquadramento, brincadeiras e homenagens com outros grandes filmes, como A felicidade não se compra (1946). É um mundo sem fim, esse mestre, e isso o torna eterno, para além de clássico. Hitchcock é referência como História do Cinema para o que se fez, se faz e se fará nesta arte - em qualquer época. Não à toa, segue no Olimpo sem perder o entretenimento, com a graça da comédia sofisticada, dos grandes diálogos, dos enquadramentos precisos e das eternas trilhas sonoras de Bernard Herrmann. Há sempre muito o que falar deste homem e de sua equipe, visível e invisível que, juntos, traduziram para nós e por décadas, o que significa contar bem uma história. Agora, escolha um filme do mestre, pegue sua pipoca e divirta-se! 
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Artista de Cinema: Alfred Hitchcock

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