Netflix - Abril 2020

by - abril 24, 2020

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Aproveitando que estamos na última semana deste mês único em nossas vidas, resolvi facilitar um pouco nosso dia a dia e fiz um compilado de tudo o que indiquei aqui para assistir na Netflix em Abril. Só coisa boa! Acho que vou manter isso como uma regra de fim de mês, porque realmente é menos coisa pra buscar nos arquivos, né? Lá vai!

  • Séries

Comedians in cars getting coffee (2012)
Criado e apresentado por Jerry Seinfeld, esta série é uma delícia. Confesso que as primeiras temporadas são mais legais, mas é interessante acompanhar as conversas com os comediantes. É literalmente isso: Seinfeld pega um artista destes em casa, em um carro diferente por vez e leva para tomar café. Como uma pessoa adoradora de café, é um deleite ver imagens maravilhosas de café e sempre quero tomar mais. Mas, é claro que a série vai além e as conversas sobre comédia, sobre o trabalho e sobre a vida costumam ser bem legais. Leve, para distrair. Os episódios são super curtos e a produção é profícua – 11 temporadas e dá pra ver fora de ordem.

Midnight Diner - Tokyo stories (2016-)
Série super curta e deliciosa em que quase tudo se passa no restaurante desse moço da foto. Lugar pequeno, é quase como uma dessas cafeterias charmosas e tradicionais, que têm um público cativo e ali vemos o desenrolar de várias histórias, relacionamentos, várias possibilidades do viver. A primeira temporada é bem boa e a segunda segue o mesmo caminho. Vale a pena.

Atypical (2017-)
Uma série que demorei pra ver, porque achei que poderia ser besta. Na verdade, é bem boa, traz a história de Sam (Keir Gilchrist), um garoto com traços de autismo, sua família e entorno. Leve sem ser boba, comédia tranquila e uma forma incrível de inserir o autismo no entretenimento. Com Jennifer Jason-Leigh, Brigette Lundy-Paine e Michael Rapaport. Por enquanto, três temporadas.


Nada ortodoxa (2020)
Assisti esta minissérie toda hoje, quase de uma só vez. Com quatro episódios, traz os judeus hassídicos da comunidade de Satma, no Brooklyn para o nosso dia a dia. Esty (Shira Haas) não consegue se manter na estrutura radical que é parte daquela cultura e tenta sair dela. Um drama baseado em fatos reais, com uma excelente pesquisa e adaptação para o audiovisual, ainda garante uma narrativa clássica, a la jornada do herói muito boa, nos prendendo até o fim. De quebra, passamos a conhecer um pouco esta realidade tão contemporânea quanto distante de boa parte de nós. Vai ganhar um monte de prêmios.

Sherlock (2010-)
Já se fizeram mil e uma adaptações de Sherlock Holmes para a tv e o cinema. Ainda que essa seja mais uma, vale a pena. Benedict Cumberbatch é o herói e Martin Freeman, Watson. A dupla inglesa funciona nesta produção da BBC ambientada na atualidade, que traz um elenco inesperado em uma série de investigação e aventura. Ao contrário do filme americano, aqui a ideia não é ter um protagonista sedutor, mas alguém inteligente e que, ao mesmo tempo, torna necessária e relevante a presença do amigo médico. Depois de assistir a alguns episódios, não deixe de ver este trailer incrível (em inglês), do pessoal da Honest Trailers. Muito engraçado.

Love (2016-2018)
Com três temporadas, Paul Rust e Gillian Jacobs, a série é uma das melhores de comédia romântica do acervo. Com grandes diálogos e personagens divertidíssimos, tem ritmo bacana e trata, claro, do relacionamento dos protagonistas. Talvez, por quebrar o estereótipo de mocinha e mocinho bonzinhos o tempo todo e fazer sumir o ´água com açúcar' mantendo a ternura, fica leve, com umas pinceladas de humor ácido. Tomara que façam nova temporada. 

Marcella (2016-)
Série inglesa brilhante, bastaria ver só para assistir a interpretação de Anna Friel, que é impressionante. Marcella é uma investigadora policial que volta ao trabalho depois de alguns dramas pessoais e tenta retomar a vida. Neste retorno, é preciso que todos voltem a lhe ter confiança porque, como House, ela é fera em descobrir os caminhos e seu instinto não nega. O roteiro nos guia entre sua vida pessoal e profissional e o desenrolar das duas temporadas é de tirar o fôlego. Dá vontade de ver mais e sempre.

  • Filmes
Eu, Daniel Blake (2016)
  Dirigido por Ken Loach, esse filme de 2016 mostra uma realidade aproximada de, pelo menos, uns cinquenta anos. Um drama social em que nosso protagonista se vê entre uma cadeia de burocracias impossíveis de atender e, por isso, passa a fazer parte de estatísticas arrasadoras. Crítico e sensível, esse filme é impressionante. E lindo. Levou a Palma de Ouro. A crítica tá aqui.

Jackie (2016)
Jackie é um drama que trata dos momentos posteriores à morte de John F. Kennedy, então presidente dos Estados Unidos em 1963. Jackie, sua esposa, estava no carro com ele, no momento do crime e viveu um trauma de grande escala, se tornando em um instante, a primeira dama-viúva do país. Tendo que lidar com a mídia e governo, família e amigos, não podemos nem imaginar o que ela passou, mas este filme propõe um bom retrato. Com a já esperada impressionante atuação de Natalie Portman, o filme carrega o tempo da recomposição dessa mulher, antes coadjuvante e depois, protagonista de sua família. 

Minha obra prima (2018)
O cinema argentino tem uma característica comum a quase todos os seus filmes: o cuidado com o roteiro. Essa comédia ácida não foge à regra e nos distrai, nos deixando o desafio de entender estes personagens e suas intenções. Divertido. De Gastón Duprat, o mesmo dos ótimos O Cidadão Ilustre (2016), Querida, vou comprar cigarros e volto (2011) O homem ao lado (2009).

What happened, Miss Simone? (2015)
Um filme impressionante sobre a vida de um dos maiores nomes da música norteamericana. Antes de assistir, achei que não conhecia muito da trajetória da cantora, mas depois vi que não sabia, na verdade, que era ela quem cantava aquelas músicas sensacionais. Sensível, bem feito e com imagens inéditas e pessoais, vale cada minuto. Um estudo sobre uma mulher, sua história complicada e os rumos que grandes vidas tomam. Impressionante. De Liz Garbus. A crítica segue aqui. 

Carol (2015)
Todd Haynes traz Cate Blanchett e Rooney Mara nesta adaptação para o cinema de um romance entre duas mulheres nos anos 50. Delicado, inteligente e sutil, as duas atrizes sustentam no olhar e poucas falas, um mundo de significados. Levou muitos prêmios por onde passou. É realmente impressionante ver o talento e a força de Cate, especialmente quando acompanhamos sua trajetória de personagens imponentes. Imperdível.

Enquanto somos jovens (2014)
Noah Baumbach tem uma série de filmes espalhados pelos streamings, além de Frances Ha e História de um Casamento. O que é interessante e comum em toda a sua filmografia é o olhar sobre comportamento e relações humanas. Ele não tem uma pegada de crítica social como Ken Loach faz na Inglaterra, mas ainda assim, busca entender, de uma forma menos estereotipada, seu entorno enquanto estadunidense, da adolescência à vida adulta. Enquanto somos jovens segue esse caminho, é uma obra leve que traça um paralelo entre dois casais, um de jovens hipsters (Adam Driver e Amanda Seyfried) e outro na meia idade (Ben Stiller e Naomi Watts) O interessante é perceber o que falta e sobra em cada par, com insights sobre comportamento, juventude, vida adulta, desejos e interesses. A crítica está aqui!

13a Emenda (2016)
O filme é uma aula sobre a questão penal norteamericana e como ela é representativa de uma situação ainda maior e mais complexa de direitos humanos, preconceitos e racismo. Ava Duvernay traz um estudo muito bem apresentado, com muito ritmo que nos prende até o fim, ainda que venha com bastante informação crítica. O sistema de lá ainda nos faz questionar diretamente a nossa situação aqui, especialmente em tempos de desgoverno, conservadorismo, falta de representatividade e crise política. A crítica segue aqui e é um filme que todos deveriam ver e discutir. 

Sergio (2020)
Dirigido por Greg Barker, que também fez um documentário sobre Sergio Vieira de Mello, a ficção estrelada por Wagner Moura e Ana de Armas é interessante para ilustrar os momentos finais da vida do alto comissário da ONU. Morto em um atentato em Bagdá em 2003, o brasileiro Sergio era uma referência mundial na resolução de conflitos. O drama enfatiza a tragédia, o que é bastante discutível, e chega à beira do melodrama - mas vale ver pela interpretação de Wagner Moura como um homem apaixonado por tudo o que lhe cerca, quase ingenuamente. Vale a discussão.

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