Crítica: O Pão e a Rua, Abbas Kiarostami

junho 15, 2016

Filme de estreia do diretor iraniano Abbas Kiarostami realizado em 1970, esse curta de 10 minutos foi nosso exercício na Oficina de Crítica Cinematográfica ministrada por Jean-Michel Frodon, no Festival Varilux de Cinema Francês que acontece agora no Rio de Janeiro e em outras capitais.




Em pouco mais de dez minutos, Abbas Kiarostami cria uma história que diverte e desperta interesse em seu curta-metragem de estreia.

Uma rua pequena com cruzamento de outras duas ou três. Um garoto com um pedaço de pão e cadernos caminha distraído, chutando uma lata. Um cachorro em seu caminho e uma música dos Beatles nos abrem os olhos para o conflito: como atravessar a rua sem ser mordido por um cão feroz? Com uma ideia de simples execução e custo baixo, o diretor sustenta sua trama sem diálogos ou qualquer necessidade deles. A narrativa se impõe entre gestos, olhares e músicas que traduzem tanto o clima do que assistimos quanto suas resoluções.

Realizado com crianças e para crianças, o filme abraça todas as idades e épocas. A situação é própria da infância de uma cidade pequena ou não violenta de qualquer lugar do mundo e a ausência de idioma – ainda que o próprio pão e os créditos de abertura indiquem uma cultura específica – reafirma sua universalização.

Aparentemente e por execução feito sem maiores ambições, o filme atinge mais do que intenciona, identificando na ingenuidade própria da infância sua outra grande característica: a criatividade. Inteligente, se sustenta na duração exata do que carece e encerra bem, como o fim de um ciclo lúdico e divertido. Comédia para todos, que em cortes simples e bom uso de câmera, nos posicionam tanto  em cena quanto a assistindo; somos o garoto e sua plateia à espera de desfecho. Grande estreia de um diretor hoje consagrado e experiente.

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