447

By Tati Reuter - junho 02, 2009

Eu fico me perguntando porque nos abalamos com esse acidente do Air France. Tudo parece um filme, tão surreal é o acontecido. Hoje, com a tecnologia que se tem, com a segurança que é voar... um avião desaparece com quase 300 pessoas no meio do mar. Ao mesmo tempo, é algo distante, não conheço os passageiros ou seus parentes e o que costumava ser exibido nos noticiários era apenas uma gripe nova.

Hoje acordei mais cedo. Levantei e a primeira coisa em que pensei foi justamente no avião. Esses acidentes, ainda mais que os terrestres, apenas atestam a vulnerabilidade de que somos feitos. Não sei, mas encaramos a vida com uma falsa segurança de que vamos viver bastante e que nosso dia-a-dia durará anos. Ainda que dentro de nós saibamos que estamos à mercê do que pode acontecer, nunca esperamos por isso.

Tive um amigo que sofreu um acidente aéreo e perdeu a vida. Mais novo que eu e muito próximo, meu querido sequer conseguiu sair do aeroporto; a aeronave tentou alçar vôo e caiu. Tão estranho o fato que uma semana antes o havia encontrado, conversávamos, vivíamos. Por mais sinistro que pareça isso tudo, é somente parte do que somos e de como é estar. Há sempre e somente o presente.

O 447 apenas nos relembra e cria uma sintonia de tristeza, uma harmonia coletiva de dor, de encontrarmos nas histórias dos passageiros-vítimas, algo com que se identificar. É dessas coisas que ninguém espera, não se entende, não se esquece. Que se pense em destino, desígnios do divino e sobrenatural. Como mais uma das questões da humanidade, o sumiço da aeronave que já se consolida com um aparecimento de destroços, não conseguirá explicar porque aquelas pessoas ou aquele vôo, se tudo não passou de uma rotina estranhamente alterada.

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