Estou em processo.

by - agosto 28, 2008

Estou finalizando um curta sobre meu avô. No tempo de meu avô, ficou curto de verdade, não sei se chega aos cinco minutos e é uma brincadeira com imagens do Arquivo Nacional e fotos antigas da família.

Não saiu muito como eu queria, acho que ainda falta sentimento em minha voz, nas palavras, alguma direção nesse sentido. Mas, além de não ter outra pessoa e eu dirigir minha própria atuação, estamos condenados ao uso de imagens que não escolhemos e assim fica mais difícil. Queria ter mais seqüências que retratassem o que imagino de meu avô, mas isso quase não consegui.

Acho que ficou um produto interessante, mas pretendo depois, construir um maior e mais livre. Inventei um avô que me interessa muito. Inventei uma vontade, inventei uma idéia, inventei uma vida. Mas não inventei a saudade.

É uma saudade engraçada, porque eu era criança e só sei dele criança. Minhas imagens dele são muito carregadas de silêncio e silêncio que eu via nele, como uma aura. Da varanda da casa de minha avó em Brotas (Salvador), da cadeira de balanço. E até da minha primeira casa, quando aconteciam os almoços e aniversários. Eu sempre achava que uma hora ele ia gritar com alguém. Mas nunca conseguia falar direito com ele. Eu também era uma pessoa de silêncio, pequena e criança, mas era.

As fotos que conseguimos selecionar representam a família muito bem. Ainda que sejam de um tempo muito anterior a esta fase de nossas vidas, traduz uma imagem bem sincera de como somos. Uma família simples e divertida, cheia de neuras, carinhos e piadas. Um pouco como toda família. Fotos antigas são as coisas mais bonitas que podem existir. Elas te resgatam sentimentos, momentos, pessoas, abraços. Fotos sempre renovam sentimentos. É um passado com sentimentos de presente.

A mais surpreendente de todas as coisas que vi nesses tempos é a foto dele sorrindo. E o depoimento de minha avó, Dona Lita. A foto dele sorrindo é a coisa mais fantástica do mundo. Porque não é simplesmente um sorriso, é como se ele estivesse rindo e querendo gargalhar, como se estivesse prendendo o riso e não conseguiu segurar direito, escapou um sor-riso tímido e vermelho. É linda.

O depoimento de minha avó. Tirando os problemas com o som e com minha entrevistadora agoniada demais, conseguimos grandes frases. Os sorrisos de minha avó a denunciam. Foram anos de convivência relembrados em pequenos instantes. Foi a História do Mundo e a História Deles, ainda maior, mais importante, mais bonita, é o surgimento de uma família. Foram as alegrias e as agonias... e agora ficou a saudade dela, o carinho e todas as suas lembranças. E deu pra ver. Minha avó é uma fortaleza, mas cheia de emoções... em também sorrisos, muito mais fáceis de conseguir.

O que ganho com esse projeto é meu avô, minha avó, meu pai, minha família. São recordações e revelações tão bonitas quanto surpreendentes. Acho que assim vou amenizando a saudade, retomando a vida do lado de cá e construindo novas idéias.

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