Columbus


Ela precisa partir, mas quer permanecer. Ele, o oposto. Presos em dilemas familiares, Casey (Haley Lu Richardson) e Jin (John Cho) se conhecem em Columbus, uma cidade entranhada no meio oeste americano, o terceiro protagonista desta história delicada e especial.

Esta estreia de Kogonada como diretor surpreende pela sofisticação e elegância no trato de um enredo simples, cabível como histórias reais de quase qualquer lugar e em qualquer tempo. Quase, porque Columbus traz um legado modernista em diversas construções, que refletem na dureza e firmeza de suas linhas a calma e as constatações de Casey sobre sua vida e como elas entram em conflito com as reflexões de Jin, em um dos raros momentos em que o cinema americano permite um ator de herança oriental ser protagonista de algo sem tiros e grandes efeitos especiais. Este embate resulta em um relacionamento curto e intenso, como aquelas amizades que percebemos em um olhar que serão para toda a vida.


A fotografia poderia ser um capítulo à parte e isso se comprova na preparação do fotógrafo Elisha Christian e do diretor. São ângulos e locações que reforçam as características da cidade e ressignificam os sentimentos dos personagens: os vazios, as linhas retas, luzes brancas e o contraste, a integração com a natureza, os visitantes, o uso dos espaços. É um cinema independente que investe em sutileza e calma, buscando no processo de transformação dos personagens, um silêncio e uma nova forma de olhar. Os dois atores principais são, nesse sentido, brilhantes, mas o elenco não se limita a eles e ganha corpo com Parker Posey e Rory Culkin, o último já garantido para o próximo filme do diretor.

Ainda não sabemos qual será a trajetória de Kogonada no futuro próximo; saído da crítica do cinema para ser realizador, ele produziu uma obra com uma forma de fazer cinema que lhe agradava assistir. Agora é esperar para ver se, a partir deste Columbus, se firmará um estilo, mais próximo de um cinema autoral com a liberdade criativa que ele teve já na estreia. Independentemente do que venha a seguir, vale a pena buscar este e garantir um pouco de reflexão e sensibilidade em um filme tranquilo, gostoso, leve e sincero. Para ver nos cinemas.

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